Por meio de vídeo, paciente denuncia condições precárias no HGR

O paciente chama atenção para a infestação de moscas na sala e o perigo que isso representa para as pessoas que estão internadas no HGR
O paciente chama atenção para a infestação de moscas na sala e o perigo que isso representa para as pessoas que estão internadas no HGR

Um paciente, que preferiu não se identificar, gravou um vídeo para contar como se encontra o Hospital Geral de Roraima (HGR), o maior do Estado. Segundo ele, as condições são precárias e as pessoas internadas têm de conviver com vários problemas que precisam ser resolvidos pelo Poder Público.

Deitado em uma cama, o homem mostra o ferimento em um dos braços e afirma não ter recebido atendimento médico devido a falta de materiais. Ele reclama ainda das instalações na unidade de saúde que, segundo ele, não oferece condições necessárias para que os pacientes sejam devidamente cuidados.

“Os médicos vieram hoje pela manhã, olharam [ferimento no braço] e disseram que os enfermeiros iriam fazer o curativo, mas não tem material no hospital para fazer o procedimento”, denunciou o paciente. É possível verificar no vídeo que o ferimento está suturado e bastante inchado.

Ele mostra também outra lesão na perna que recebeu sutura. Ambos os ferimentos aparentam estar inflamação e necessitando da troca de curativos. O paciente chama atenção para a infestação de moscas na sala e o perigo que isso representa para as pessoas que estão internadas no HGR.

“A gente tem de estar cobrindo [os ferimentos] porque o hospital está cheio de moscas. É tanta que a gente não pode nem abrir a boca para respirar que as moscas estão entrando”, reclamou, ao acrescentar que a central de ar da sala está queimada e enfermeiros recomendaram deixar as janelas abertas para o ambiente ficar mais arejado.

Outro paciente que aparece na filmagem, que também não se identifica, comenta que está com a perna quebrada há quase um mês no hospital. Ele afirma que ainda não se submeteu ao procedimento cirúrgico, e que teme pelas sequelas que podem ocorrer por conta da demora para realização da cirurgia.

“Estou desse jeito há 21 dias. A perna vai sarar, assim como os nervos. Quando forem cortar vai ficar tudo enrolado aqui dentro [da perna]. Já era para terem feito a cirurgia”, lamentou o paciente.

Outra reclamação feita no vídeo foi com relação à limpeza e higienização nos leitos, classificada como “precária”. Além disso, as paredes estão deterioradas com pintura descascando. Os pacientes pedem providências para que alto seja feito pelos responsáveis pela unidade de saúde.

Assista:

OUTRO LADO

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou que o curativo do rapaz já foi trocado e o paciente em questão, assim como os demais, continuam recebendo os cuidados necessários. A Secretaria também acionou a empresa que faz a manutenção das centrais para realizar o conserto ainda na terça-feira (4), assim como a limpeza da enfermaria onde o paciente se encontra.

Quanto às cirurgias, a secretaria ressalta que por motivos de contingenciamento de materiais médico-hospitalares, as cirurgias eletivas (que são aquelas que podem esperar) estão temporariamente suspensas, para priorização das cirurgias de urgência e emergência.

Tão logo esses materiais sejam entregues ao Estado, uma vez que estão em processo licitatório e os prazos legais devem ser respeitados, os procedimentos cirúrgicos eletivos serão retomados, conforme leis vigentes de priorização da Fila Única do SUS.

Ressalta que qualquer cidadão tem o direito de reclamar caso seja mal atendido e que, para isso, o Estado dispõe da Ouvidoria do SUS, que é o órgão responsável por apurar as demandas relacionadas à saúde e dar um retorno à população, processo que é monitorado pelo Ministério da Saúde e pode ser acessada por telefone (95) 2121-0590 ou 136/Nacional, por e-mail ([email protected]), pessoalmente ou por carta endereçada à Ouvidoria da Sesau, localizada na Rua Madri, 180, Aeroporto, Boa Vista.

Informações: Roraima em Tempo