Lotes de madeiras apreendidas que estão no pátio da Polícia Federal em Manaus (Foto: Humberto Jacob)

A comercialização de madeiras, extraídas por madeireiras roraimenses, têm sofrido prejuízos por conta de duas apreensões feitas pela Polícia Federal do Amazonas, durante a Operação Arquimedes, realizada em dezembro de 2017 e julho de 2019.

A investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas teria apontado que as cargas de madeira apreendidas em Manaus seriam enviadas para os Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Portugal, França, Holanda, Bélgica, China, Tailândia, Estônia, Lituânia, Itália, República Dominicana, Haiti, Porto Rico, Taiwan, Índia e México e estariam ilegais no Porto Chibatão, em Manaus.

De acordo com o empresário do ramo, Humberto Jacob, o setor madeireiro está há 60 dias praticamente parado, pois está impedido de escoar o produto por meio dos portos do Amazonas por conta da morosidade na finalização da operação e na devolução das madeiras que estavam legais, mas mesmo assim foram apreendidas pela PF. Ele disse que os portos do Amazonas, por onde são escoadas as madeiras, foram impedidos de realizar o embarque do produto.

“O delegado da PF, Alexandre Silva Saraiva, expediu um ofício que foi entregue aos responsáveis pelos três portos de Manaus para que não embarcassem madeiras sem autorização da PF. Eu estou indignado com tudo isso, porque a madeira extraída está toda legalizada”, assegurou.

Humberto conta que está surpreso com a atitude da Polícia Federal, pois o órgão pegou toda a madeira apreendida, tanto da sua empresa quanto de outras, e levou para o pátio do órgão, sem garantir um acondicionado adequado do produto.

“A nossa madeira foi jogada de qualquer maneira no pátio da PF. Está tudo lá pegando sol e chuva, correndo o risco de estragar. Agora imagina o prejuízo que teremos se perdermos a madeira?”, questionou.

Ele lembra que os madeireiros, que foram prejudicados pela apreensão, pagaram advogados para agilizar a liberação da madeira e conseguiram na justiça amazonense uma liminar para liberar o último carregamento apreendido.

“Me causa mais indignação, porque conseguimos, por meio de liminar, que fossem liberados os carregamentos de madeiras. Mas não obtivemos, até agora, uma resposta do delegado responsável pela Operação”, lembrou.

Ainda segundo Humberto, existem madeireiras com salários de funcionários atrasados devido a essas apreensões.

“Os prejuízos relacionados aos carregamentos de madeiras, apreendidas em 2017, chegam a 15 milhões de reais. Já em relação às apreensões feitas em 2019, os prejuízos chegaram a 4 milhões de reais”, mensurou.

Informações: Folha de Boa Vista