Gilmar e Antônia Pereira de Araújo mantêm uma vida muito simples e moram em casas modestas que não condizem com o volume de dinheiro recebido pela empresa – Reprodução

Empresa União Comércio e Serviço STDA – EPP, que tem como sócios-proprietários os irmãos Gilmar Pereira de Araújo e Antônia Pereira de Araújo, parentes diretos do deputado eleito senador Mecias de Jesus, receberam entre 2015 e 2018 do Governo de Roraima o equivalente a R$ 87 milhões, sendo os maiores contratos formalizados entre a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), para serviços de limpeza e conservação de unidades hospitalares.

Mecias esteve na base de apoio à governadora Suely Campos até 2017. Após inúmeras denúncias e com o aprofundamento da crise no Governo, o deputado declarou apoio ao governador eleito Antônio Denarium nas eleições deste ano. Enquanto foi aliado de Suely, Mecias fez indicações para diversos cargos de chefias na Sesau, coincidindo com o período de contratação e dos maiores pagamentos feitos à empresa União.

Mecias é ainda o autor da Emenda Constitucional nº 048/2016 que aumentou de 12% para 18% o percentual do orçamento aplicado à saúde estadual. A medida garantiu R$ 120 milhões a mais para a Saúde em 2017. A emenda chegou a ser questionada pelo Executivo Estadual que propôs reduzir novamente o percentual do orçamento para os 12%.

PADRÃO DE VIDA

A denúncia, enviada em um envelope ao jornal Roraima em Tempo aponta ainda que os irmãos Gilmar e Antônia Pereira de Araújo mantêm uma vida muito simples e modesta, que não condiz com o volume de dinheiro recebido pela empresa.

Gilmar reside em São João da Baliza e vive da atividade agropecuária. Em uma das fotos encaminhadas à redação, é possível ver sua esposa almoçando em uma residência muito humilde.

O mesmo acontece com a sócia Antônia Pereira que reside em uma casa simples no bairro Cambará.

Entre as atividades de negócios da empresa, estão listados desde o comércio varejista de material de construção, passando por construção de edifício, obras de terraplanagem até agência de publicidade e pesquisa de mercado e de opinião pública, conforme descrito no serviço CNPJ Info.

A maior parte dos pagamentos feitos à empresa e que estão relacionados no sistema da SEFAZ trata de compras e serviços, porém, também existem valores altos para operações classificadas como “Não Aplicável à Licitação”.

Só em novembro deste ano, a empresa recebeu mais de R$ 56 mil nessa condição. Outro exemplo disso é o pagamento efetuado em março de 2016, quando a União recebeu R$ 1.228.500,00 em operação “Não Aplicável à Legislação”.

DEMISSÕES E ATRASOS

Nos dados apresentados, consta que a empresa teria 820 funcionários, a maioria admitida entre os anos de 2015 e 2016. A denúncia diz ainda que esse número de trabalhadores informado pela empresa está acima do que realmente foi contratado para prestar serviços nas unidades hospitalares.

Apesar dos altos valores movimentados pela União, as denúncias e paralisações dos seus funcionários por atrasos de salários se tornaram constantes. A suspensão do serviço de limpeza das unidades hospitalares chegou a colocar em risco a vida dos pacientes.

Em fevereiro deste ano, a União anunciou a demissão de funcionários que atuavam em 14 municípios do Estado. A empresa não chegou a informar o número de demitidos, mas justificou a ação devido ao contrato não ter sido renovado com o governo. Alguns trabalhadores denunciaram que estavam há seis meses sem receber.

OUTRO LADO

A empresa União e a assessoria de Mecias de Jesus, não emitiram resposta.

Em nota, a Sesau informou que há um contrato vigente com a empresa União Comércio e Serviços, para prestação de serviços de limpeza no Hospital Materno-Infantil, no valor de R$ 8,57 milhões por ano.

A secretaria ressalta que desconhece qualquer tipo de influência política para a indicação de cargos que tenham alguma ligação com o contrato com a referida empresa.

Informações: Roraima Em Tempo

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