Roraima perde 75% de água distribuída, diz estudo

Perdas no abastecimento acontecem por vazamentos, ligações clandestinas e falhas de leitura de hidrômetro
Perdas no abastecimento acontecem por vazamentos, ligações clandestinas e falhas de leitura de hidrômetro

Roraima lidera ranking dos estados que apresentam maior perda na distribuição de água, chegando a 75%. O índice foi divulgado nessa quarta-feira (5) após levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil com a GO Associados. Isso significa que a cada 100 litros de água, 75 ficam pelo caminho.

As perdas no abastecimento acontecem por vazamentos, ligações clandestinas (mais conhecidas como ‘gatos’) e falhas de leitura de hidrômetro. O índice de perda na distribuição é um indicador de eficiência, o que, de acordo com o estudo, deixa claro problemas estruturais no setor de saneamento básico do Estado.

A perda é medida através da diferença entre a água produzida pela empresa responsável pela distribuição e o volume que chega às casas das pessoas de forma oficial.

AUMENTO

Ainda de acordo com o instituto, outros sete estados do país perdem metade ou mais da água que produzem. Desses, quatro estão no Norte e três no Nordeste, regiões que historicamente apresentam os piores índices de saneamento, após Roraima, os estados do Amazonas (69%), Amapá (66%), Acre (60%), Maranhão (60%), Rondônia (56%), Pernambuco (52%) e Rio Grande do Norte (50%) completam as oito primeiras posições do levantamento.

O estudo destaca ainda que nos últimos dois anos houve um aumento na produção de água do país, mas que as perdas também aumentaram. “Podemos estar tirando mais água apenas para compensar o aumento das perdas. Isso seria péssimo para a sustentabilidade do próprio sistema e para os usuários”, destaca Édison Carlos, do Instituto Trata Brasil, no estudo.

Até pouco mais de um mês atrás, Roraima vivia um período de forte estiagem e tempo seco. Durante esse período, moradores de Boa Vista reclamam das constantes faltas de água em bairros da cidade.

NEGAÇÃO

No entanto, os dados apontados no estudo são negados pelo presidente da Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer), James Serrador. “O índice apontado pelo estudo não tem fundamento. Para abastecer Boa Vista, são necessários pouco mais de mil litros por hora. Se a perda fosse de 75%, teríamos que repor isso acima da capacidade de operação e abastecimento da empresa Nós trabalhamos com índice de perda de 40%, dentro da média nacional”, afirma.

O presidente da Caer diz ainda que a companhia fará ações para diminuir a perda de água fornecida. “Nós vamos abrir um novo cadastro para Boa Vista e fazer novos contratos de performance para a troca de hidrômetros. 70% dos hidrômetros de Boa Vista têm mais de 7 anos, o que atrapalha a medição correta”, garante.

Atualmente, a empresa opera com uma dívida de mais de R$ 400 milhões e, no fim do ano passado, havia anunciado medidas para reequilíbrio das contas. Em janeiro, foi realizada a campanha Cliente Padrão, que renegociou cerca de R$ 2 milhões em dívidas.

Agora a companhia está acionando a Justiça para cobrar os maiores consumidores inadimplentes da empresa. Juntos, os dez maiores devedores chegam a aproximadamente R$ 1,5 milhão em dívidas. A maioria está há mais de 15 anos sem pagar a conta de água.

“Vamos trabalhar junto com a Polícia Civil para fazer um sistema de ‘caça-fraudes’ para acabar com as ligações clandestinas e diminuir o que se perde”, finaliza James.

Informações: Roraima em Tempo