OPINIÃO: A Saúde do Estado continua um caos

A imprensa local recebe inúmeras reclamações sobre os problemas nas unidades de saúde do Estado. No Hospital Geral de Roraima (HGR) falta até sabão para lavar as mãos dos profissionais. Em Mucajaí falta alimentação para os pacientes e para os servidores. No Cosme e Silva não tem raio-x e a demora no atendimento é constante. A população reclama com toda razão. Roraima foi um dos Estados que mais recebeu investimento para combater a pandemia. Para se ter uma ideia desse volume, R$ 6 milhões foram aplicados na compra dos respiradores que nunca foram entregues. Foi essa operação comercial que chamou a atenção das autoridades e deflagrou as investigações que seguem em curso na Saúde.

NÃO VOLTOU

Quem denunciou a compra superfatura dos respiradores foi a Rádio 93 FM. À época, a Comunicação do Governo chegou a afirmar que a notícia era falsa. Em seguida, o governador Antonio Denarium (sem partido) teve que assumir a vergonha e a incapacidade da própria gestão. Alegou que não sabia da compra e exonerou o secretário Francisco Monteiro. Por pressão da Assembleia Legislativa, onde tramitavam dois pedido de impeachment, Denarium negociou aa Secretaria de Saúde e a entregou na mão de Jalser Renier (SD). Em troca, se livrou dos pedidos de afastamento. O dinheiro dos respiradores ainda não voltou efetivamente para a conta do Estado. Quem dependia desses equipamentos teve que esperar a abertura de vagas na UTI do HGR.

DINHEIRO TEM

Como um jargão de campanha, Denarium manifestou diversas vezes que o problema de Roraima não era falta de dinheiro, mas sim de gestão. Agora, ele prova diariamente que estava certo, porém, ele mesmo que ocupa o cargo de governador. Ao invés de fazer uma administração séria e transparente como prometeu em campanha, Denarium usa o Governo como moeda de negociação entre os seus aliados e amigos. Segundo informações recentes divulgadas pelo secretário de Saúde indicado de Jalser, Marcelo Lopes, a pasta tem R$ 140 milhões parados. Mas, de forma inexplicável, no HGR falta tudo. Estão guardando esse dinheiro para usar quando?

COMPARTILHADA

Recentemente, Denarium selou acordo e definiu a composição da chapa encabeçada pela deputada Shéridan (PSDB) que disputa a Prefeitura de Boa Vista. Na negociata, Denarium entregou a Secretaria de Segurança para a candidata, colocou a Setrabes nas mãos do ex-deputado Abel Galinha, representante do DEM, e a Sefaz ao senador Mecias de Jesus (Republicanos), que também comanda a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer). Assim, Denarium se livrou ainda dos processos movidos pelo ex-governador José de Anchieta. Shéridan e Abel traíram Anchieta e, na manobra política de se juntar a Denarium, enfraqueceram os processos.

CONLUIO

A Operação Desvid-19 estampou o senador licenciado Chico Rodrigues (DEM) por ter escondido dinheiro na cueca e deixou claro que a interferência de políticos aliados de Denarium nos contratos do governo é prejudicial para a população. O esquema se tonou comum no governo é simples: o parlamentar destina recursos de emenda, negocia quem será a empresa vencedora do contrato, a empresa superfatura os preços e divide o lucro com os envolvidos, especialmente o parlametar autor da emenda. Essa é a linha de raciocínio aplicada pela Polícia Federal para chegar na cifra de R$ 20 milhões que, supostamente, teriam sido desviados da Saúde com participação de Chico. O mesmo caminho se aplica ao caso envolvendo o ex-deputado federal Abel Galinha, que teria causado um prejuízo de R$ 14 milhões. Apenas com essas duas figuras citadas, o rombo na saúde é de R$ 34 milhões. Quanto mais os outros que realizam a mesma prática dentro do Governo Denarium levaram dos cofres públicos?

Informações: Roraima em Tempo – Foto: Ascom Sesau