Em busca do 2º lugar nas eleições, Shéridan e Ottaci se enfrentam e trocam acusações

Domingo era pra ser um dia tranquilo, se não fossem os vídeos que começaram a circular dando conta de possível ‘boca de urna’, envolvendo a estrutura do Governo do Estado. Deputados estaduais que antes estavam ligados ao grupo do governador Antonio Denarium (Sem Partido) fizeram críticas ao governador e mostram lealdade ao presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (SD). O circo foi montado! A Polícia Federal foi acionada para colher documentos que supostamente seriam de cadastros em benefícios social que deveriam ser entregues durante a pandemia, mas, segundo a denúncia, estariam sendo usados pela coligação apoiada por Denarium para garantir votos para a candidata Sheridan (PSDB).

JUSTIFICATIVA

A população ficou atenta aos grupos e a enxurrada de vídeos, textos, memes, áudios e declarações sobre o ocorrido. O chefe da Casa Civil, Soldado Sampaio, foi ao local e tentou amenizar a situação, afirmando que se tratava de um trabalho normal previsto pela equipe das ações sociais do Estado. O deputado Jorge Everton (MDB), que tem cargos na estrutura do governo, declarou algo como “ser da base governista não significa apoiar a roubalheira”. A afirmação foi vista com estranheza pelos governistas. Outro que também surpreendeu foi Jânio Xingu (PTC). Acostumado a tecer elogios a Denarium, ele foi um dos primeiros a conversar com a imprensa e a alegar a irregularidade. Horas depois, o Estado repudiou a denúncia e atestou legalidade do trabalho. O documento foi compartilhado por praticamente todos os cargos comissionados do governo.

CULPADA

A segunda-feira (9) chegou e o assunto não foi esquecido. Apoiadores de Ottaci e Shéridan iniciaram troca de acusações com conteúdos que denegriam a reputação dos dois. Contra a parlamentar pesaram acusações da compra de votos, uso da estrutura do Estado para fins pessoais, processos que ela responde na Justiça, sendo que um deles é justamente pela suspeita de usar cadastros no Crédito Social como moeda eleitoral em 2010. A imagem de Shéridan foi vinculada a Chico Rodrigues, senador licenciado pego com dinheiro na cueca, que, conforme a Polícia Federal, teria sido desviado dos recursos para combater a pandemia. Shéridan foi acusada junto com Denarium de organizar o maior esquema de boca de urna. A PF apenas confirmou que recolheu documentos, entre eles fichas cadastrais.

CULPADO

Do outro lado, o grupo de Denarium e Shéridan também não poupou esforços para descredibilizar a ação dos deputados. O senador Mecias de Jesus (Republicanos) gravou vídeo acusando os deputados de agirem para favorecer a campanha de Ottaci. Shéridan acusou os deputados de prejudicar as famílias que aguardam pela entrega do cartão e das cestas básicas. Nos materiais compartilhados pelos apoiadores de Shéridan, Ottaci foi apontado como integrante do Comando Laranja, apelido dado ao grupo de Jalser que faz alusão ao crime organizado. Um vídeo afirmando que a coligação do SD tem apoio de facções também foi compartilhado, e lembraram que a deputada Yone Pedroso (SD) teve o mandato cassado por abuso de poder econômico e compra de votos em 2018. Citaram ainda os demais integrantes do Comando Laranja de Jalser, os deputados Renan Filho e Renato Silva (Republicanos) que se tornaram réus recentemente e os candidatos a vereador, Klebinho Siqueira e Carlinhos (SD) enrolados na justiça.

TROCA DE ACUSAÇÕES

O que Ottaci e Sheridan ganham com essa troca de acusações? De modo geral, a população entendeu que os dois grupos têm pontos que precisam ser avaliados. Ambos os grupos somam integrantes atolados em suspeitas de corrupção por desvio de dinheiro público. Shéridan herda a péssima avaliação de Denarium, assim como Ottaci também é apontado como um mero fantoche de Jalser, que só estaria usando o afilhado para chegar no comando da Prefeitura de Boa Vista. De certo, o episódio protagonizado neste domingo, aponta uma ruptura entre um grupo que agregou muita gente mas não se manteve unido. Apesar de Denarium ter entregue a Secretaria de Saúde para Jalser a parceria entre os dois está visivelmente comprometida. Assim, como uma possível aliança entre Mecias e Jalser que tem interesses divergentes nessas eleições.

PREJUÍZO

Quem mais perde com tudo isso é a população. Seja pelo uso politiqueiro de ações que deveriam promover o combate à fome e autonomia das famílias em situação de vulnerabilidade. Seja pelo desgaste que leva ao desinteresse em relação à política, causando a deseducação e só agrava a sensação de que todos são “farinha do mesmo saco”.  A democracia fica prejudicada, porque o eleitor especialmente, aqueles menos favorecidos são acostumados a continuar trocando seu voto por benesses imediatas. O resultado a médio e longo prazo fica totalmente comprometido. A gestão da saúde estadual é um exemplo claro disso. Mesmo com todas as promessas feitas na campanha eleitoral, com a promessa de apoio incondicional do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) e de praticamente toda a bancada federal, Denarium mostrou que a sua preocupação não é mesmo cuidar das pessoas, mas manter-se no poder. Para agradar seus aliados, ele permitiu as compras superfaturadas na saúde, depois negociou a pasta para se livrar de pedidos de impeachment que tramitavam dentro da Assembleia Legislativa. Depois, abriu outras secretaria para atender Sheridan, Mecias, Chico Rodrigues, Abel Galinha e seus aliados. A ponto de permitir, ao que tudo indica, o uso dos programas sociais com instrumento de compra de votos. Se isso for comprovado, a situação de Denarium se agrava ainda mais como o gestor que permitiu tantos absurdos.