Indígenas têm reclamado das ações do governo federal quanto à demarcação de terras (Edinaldo Morais/Roraima em Tempo)

O vice-coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Edinho Batista, criticou as interferências do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) na Fundação Nacional do Índio (Funai). A opinião negativa veio após entrevista concedida por Franklimberg de Freitas, ex-presidente da Funai, que voltou a criticar a agenda do governo federal para a entidade, em entrevista ao jornal ‘O Estado de S.Paulo’, nessa segunda-feira (1°).

De acordo com o ex-presidente da Funai, o encontro entre o presidente da República e um grupo de indígenas, em abril, foi uma “cena montada” e a política indigenista tem sido feita junto a ruralistas, sem diálogo com a Funai e sem focar no índio.

“Os índios que foram ao encontro com Bolsonaro não representavam suas comunidades. Falavam apenas por eles mesmos. Como discutir políticas para os índios se o governo federal se reúne apenas com pessoas que concordam com o que eles querem fazer?”, questionou Batista.

Na entrevista, Franklimberg Freitas disse que a Funai sequer pagou a passagem daqueles índios para irem a Brasília e gravar com o presidente.

No encontro, ocorrido em abril e transmitido pelo Facebook de Bolsonaro, um grupo de indígenas supostamente das etnias Macuxi (Roraima), Yanomami (Amazonas e Roraima) Parecis (Mato Grosso e Xucuru – Pernambuco), reivindicam o direito de explorar as reservas tradicionais.

Eles foram levados ao encontro com o presidente pelo secretário especial de Assuntos Fundiários do governo, o ruralista Luiz Antônio Nabhan Garcia, considerado como o pivô da demissão de Freitas, ocorrida no dia 11 de junho. No encontro, também estava presente o senador Chico Rodrigues (DEM), que indicou um nome para assumir um Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima.

DEMARCAÇÃO

A demarcação tem sido também uma preocupação para os indígenas roraimenses. “Nós não invadimos a terra de ninguém: só pedimos respeito. Seja respeitado o direito de viver em nosso território. Pedimos que nos assegurem os direitos garantidos na Constituição”, declarou Batista.

Freitas ainda lamentou os ataques da bancada ruralista à demarcação de terras indígenas. “O presidente fez uma promessa de campanha de não demarcar terra. Mas prometeu melhorar a vida do índio. Se o presidente não quer demarcar, ele tem essa prerrogativa na lei. O que não se pode esquecer é que existem processos em curso, e que você não pode paralisá-los. Se fizer isso, comete improbidade administrativa”, disparou.

No último dia 24, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, suspendeu, em decisão liminar, uma medida provisória (MP 886) editada pelo presidente Jair Bolsonaro que devolveu ao Ministério da Agricultura a atribuição de demarcar terras indígenas depois de o Congresso ter barrado a iniciativa.

A decisão foi no âmbito de três ações ajuizadas no STF por parlamentares do PT, PDT e Rede Sustentabilidade, entre eles, a deputada por Roraima, Joênia Wapichana.

Informações: Roraima em Tempo

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