Há 47 dias sem receber energia da Venezuela, a Roraima Energia negou nesta terça-feira (23) que esteja racionando fornecimento ao estado, mas admitiu que cortes têm sido necessários para fazer manutenção nas termoelétricas, usadas de forma contínua desde 7 de março.

Na noite dessa segunda (22), moradores denunciaram cortes de energia de até 1h em bairros de todas as zonas de Boa Vista. O problema tem se repetido há dias, segundo os relatos.

Em nota sobre o apagão, a empresa informou que devido à dependência contínua das térmicas “há necessidade de realização de manutenções nas unidades geradoras, onde em dias de alta temperatura e em horários de pico de consumo, pode ocorrer necessidade de cortes de carga de modo a evitar um desligamento geral”.

Segundo o comunicado, na noite de ontem “houve necessidade de corte de 7% da carga no horário de ponta de consumo, afetando alguns bairros da cidade”.

“Não é racionamento. Entendemos como corte de carga por não ser um problema contínuo, que afeta os consumidores durante o dia todo e nem em todos os dias da semana”, complementou.

Ainda conforme a nota, a empresa prioriza o fornecimento para regiões que possuam hospitais, postos de saúde, clínicas e outras locais consideradas de primeira necessidade.

Corte de energia da Venezuela

O estado, único a não fazer parte do Sistema Interligado Nacional, o SIN, era abastecido pela energia venezuelana até o dia 7 de março deste ano. O suprimento, no entanto, foi cortado em meio a um apagão no país vizinho, e desde então não retornou.

Em visita a Roraima no 12 deste mês, o ministro de minas e energias, Bento Albuquerque, disse que o Brasil “não tem uma avaliação” se a Venezuela vai ou não voltar a fornecer energia para Roraima.

Na semana semana passada, o porta-voz da Roraima Energia, Anselmo Brasil afirmou que não há expectativa sobre a Venezuela voltar a abastecer Roraima.

Está previsto para agosto o aporte de mais 28,5 megawatts de geração de energia no estado e de instalação de fontes de energia renováveis no ano que vem. A solução definitiva para o isolamento de Roraima, no entanto, é o Linhão de Tucuruí, que ligará Roraima ao sistema nacional.

A obra foi declarada de interesse nacional e está prevista para começar no segundo semestre, mas o governo federal ainda espera obter o licenciamento para construí-lo, um processo que se arrasta há 11 anos.

O projeto visa criar uma linha de transmissão de 715 km entre Manaus (AM) e Boa Vista com 1.140, sendo que aproximadamente 120 km atravessam a terra indígena Waimiri Atroari.

Informações G1 Roraima – Foto: Rede Amazônica Roraima/ Reprodução

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