O médium afirmou que todas as orientações que recebe “são repassadas pelo espírito”

A Polícia Civil indiciou, nesta quinta-feira (20), o médium João de Deus pelo crime de violação sexual mediante fraude cometida contra uma mulher que buscou atendimento espiritual na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, cidade goiana do Entorno do Distrito Federal. Ele nega os crimes e ainda responsabiliza “Deus” e “os espíritos” pelos procedimentos feitos na casa.

O médium afirmou que não entrega receitas ao fiéis que vão à Casa de Dom Inácio de Loyola. Na realidade, ao passarem pela fila de atendimento, os fiéis recebem das mãos do próprio João papéis com rubricas feitas pelo médium, que devem ser entregues na farmácia da Casa na hora de comprar os remédios.

Ainda no depoimento, João afirma que não tem responsabilidade pelo que faz nos atendimentos espirituais. Ele diz que “as orientações são repassadas pelo espírito”. Questionado se faz tratamento com cirurgias incisivas, ele nega e diz que “Deus que faz”. As notas taquigráficas do depoimento mostram a explicação dada pelo médium.

“No atendimento não é repassada receita, as orientações são repassadas pelo espírito, ou seja, não é de maneira escrita. Esclarece que apenas atende e orienta. Informa ainda que alguns frequentadores já adquirem os produtos, mesmo sem o encaminhamento do espírito, pois são frequentadores do local há muitos anos e acreditam na eficiência do produto”.

Também nesta tarde, a defesa do médium entrou com pedido de liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF). O G1 tentou contato com o advogado Alberto Toron para que se posicione sobre o indiciamento, mas as ligações não foram atendidas até a última atualização desta reportagem.

O inquérito concluído se trata, até esta tarde, do relato mais recente de abuso sexual contra o médium. Conforme a vítima, de 39 anos, o crime aconteceu em 24 de outubro deste ano.

Na denúncia, a mulher afirma que, quando notou o pênis de João de Deus para fora da calça, disse ao médium que tinha reparado o membro exposto. Em seguida, ele interrompeu a sessão. Ainda conforme a vítima, o médium pediu a ela que não contasse sobre o atendimento. Caso seja condenado, João de Deus pode pegar de 2 a 6 anos de prisão.

Informações: O Globo

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