Eriton Leitão Brandão foi solto por ter endereço fixo e emprego (Foto: Divulgação)

Foi de apenas 23 dias o tempo que Eriton Leitão Brandão, de 26 anos, ficou preso na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), depois de confessar que matou o empresário Antônio Coelho de Brito, o “Simbaíba”, de 69 anos, em sua oficina mecânica, no bairro Pricumã, a golpes de pá. A vítima flagrou o indiciado dentro da sua propriedade e ambos travaram luta corporal. O fato ocorreu por volta das 05h30 do dia 16 de junho deste ano, mas quando o corpo foi encontrado, passava das 8h.

A Folha teve acesso à Certidão Carcerária de Eriton e descobriu que ele deu entrada na Pamc no dia 19 de junho, quando sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva, mas foi posto em liberdade no dia 12 deste mês. A juíza responsável pelo caso, Lana Leitão Martins, decidiu soltar o autor confesso após considerar necessário o relaxamento da prisão.

O Ministério Público pediu que a prisão preventiva fosse convertida em temporária, pelo fato do crime ser hediondo, de modo que o preso permaneceria no sistema prisional enquanto as investigações fossem realizadas. No entanto, a magistrada indeferiu o pedido de prisão temporária e concluiu que não era preciso manter Eriton preso para que as investigações da Polícia Civil acontecessem, uma vez que ele apresentou endereço e emprego em Boa Vista, além de ter sido devidamente identificado.

“O fato isolado de se tratar hipoteticamente da ocorrência de homicídio doloso, por si só, não justifica a decretação da prisão temporária. Entendo que a soltura do investigado não prejudicará o andamento das investigações complementares”, destacou na decisão a magistrada.

Na decisão que revogou a prisão do indiciado, a juíza declarou que, na audiência de custódia, o flagrante foi considerado ilegal, supostamente pelo fato do jovem ter sido preso dois dias após o crime, tendo a prisão sido relaxada e imediatamente decretada a prisão preventiva. O Alvará de Soltura foi expedido no dia 11 deste mês e a justiça pediu que o endereço do investigado, em Manaus, assim como o número de telefone, fossem anotados e entregues à Vara responsável pelo caso.

Os dois venezuelanos que foram presos num primeiro momento como autores do homicídio e que em seguida passaram a responder por roubo, continuam na Pamc. Eriton disse que os dois imigrantes lhe abordaram para levar seu aparelho celular e era da dupla que ele fugia quando entrou na oficina da vítima. O celular de Eriton, supostamente roubado pelos venezuelanos, nunca foi encontrado como prova do crime.

Informações: Folha de Boa Vista