Procurador Paulo Sérgio Oliveira, que criticou as instalações da UBS Olenka, em nenhum momento visitou o HGR e nem cobrou do governador o funcionamento do Hospital de Campanha do Exército

INACREDITÁVEL I

O membro do Ministério Público de Contas, Paulo Sérgio Oliveira, surpreendeu ontem a população com uma proposição inusitada. Não se sabe se é por conta da relação que tem com Jalser Rernier (SD), mas o ilustre cidadão quer paralisar as obras realizadas pela Prefeitura de Boa Vista, alegando a Covid-19. Ora, o senhor Paulo Sérgio esteve na Unidade Básica de Saúde do Olenka, no bairro Caimbé, no primeiro dia de funcionamento exclusivo para o atendimento da Covid. Esteve lá, criticou e reclamou das instalações. Causou tumulto e, ao sair, propôs uma série de medidas sem mesmo ouvir a Prefeitura sobre as providências que já estavam sendo adotadas. Louvável a atitude do membro do MPC de Contas em querer defender a população. No entanto, não se viu Paulo Sérgio ir ao HGR. As pessoas estão morrendo por incompetência do governador Antonio Denarium (sem partido) e do amigo Jalser. Não vimos, infelizmente, nenhum processo movido por esse corajoso servidor público. Ontem à noite, uma gravação mostrou o cinegrafista Tayllon Peres na UTI, embaixo de uma enxurrada de água, vazamento que existe há anos. Tayllon morreu e Paulo Sério não apareceu.

INACREDITÁVEL II

Agora, o procurador quer interferir na gestão da Prefeitura Municipal, paralisando obras federais que têm grande importância para a população, prazo de execução e prestação de contas. O objetivo não é cuidar da saúde de ninguém, porque ele não deu as caras no HGR e nem cobrou o governador durante os três meses que o Hospital de Campanha do Exército entrasse em funcionamento. O que ele quer, junto com Jalser e Denarium também, é paralisar a Prefeitura e atacar a prefeita Teresa Surita (MDB). É impedir que ela conclua e entregue as obras nesses últimos meses de mandato. Eles querem mais: intervir no processo eleitoral do município. Querem ganhar uma eleição com gol de mão. Absurda essa postura. A sociedade precisa se manifestar e resistir. Paulo Sérgio se vê no direito de quere tolher um mandato legitimamente constituído por 80% das pessoas de Boa Vista. E não adianta vir com a desculpa de que também vai parar as obras do Estado, porque não se para o que não existe. Pensamos que já havíamos visto de tudo em Roraima, mas essa união entre o presidente Jalser Renier com Denarium está trazendo vários ataques às liberdades individuais e coletivas. Chega de abuso!

MILAGREIRO

O senador Mecias de Jesus (Republicano) é conhecido em Roraima como o milagreiro ou autor do milagre da multiplicação dos bens. Essa história começou com o estratosférico crescimento dos bens dele e da família, quando ele assumiu a presidência da Assembleia Legislativa. A partir daí, surgiram as mais diversas acusações como o superfaturamento da reforma do prédio da Assembleia, a compra de móveis a preços inexplicáveis e a tentativa de criar o trem da alegria que tornava funcionária efetiva da Casa a esposa Darbilene Rufino, sem que ela fizesse qualquer concurso público, apenas por ter sido nomeada em um cargo de confiança. No entanto, nada foi mais rentável para ele e também mais explosivo que o caso Gafanhotos. Mecias era o presidente da Casa e, junto com Neudo Campos, conduziu o esquema de desvio de dinheiro público através de laranjas conhecidos como gafanhotos, porque comiam a folha de pagamento.

DENÚNCIA

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o deputado Mecias de Jesus era o mais voraz de todos. Era o que tinha mais gafanhotos com procurações passadas por Darbilene e outros parentes. Foi por isso que ela foi presa e conduzida à penitenciária com um bebê no colo. Muitos já foram condenados, mas o hoje senador conseguiu até agora adiar o julgamento que vai lhe deixar inelegível. Mas independente dos problemas, a riqueza da sua família só te aumentado. Um dado que demonstra o poder da fé do milagreiro é o que foi declarado à Justiça Eleitoral. Em 2010, ele tinha um patrimônio de R$ 326 mil. Apenas dois anos depois, em 2012, esse patrimônio aumentou para R$ 2,3 milhões com R$ 620 mil declarados em espécie.

TENTÁCULOS

Com o processo dos Gafanhotos, o senador teve os bens bloqueados em 2013. Recorreu, liberou o patrimônio através de liminar, mas, dois anos depois, em 2015, teve definitivamente os bens bloqueados em decisão do Tribunal Regional Federal (TRF-1), de Brasília. Aí, aconteceu algo bem estranho que denuncia os tentáculos de Mecias junto às autoridades de Roraima. O problema do bloqueio de bens simplesmente sumiu e até hoje não foi cumprido, apesar da decisão ter sido publicada há cinco anos. Esse ato deve ter dado abertura para transferência fraudulenta de bens, pois desde a primeira decisão em 2012, qualquer movimentação dos bens de Mecias representaria ocultação de bens e obstrução da Justiça. Esse fato precisa ser investigado pelo Ministério Público Federal, autor da ação. A verdade é que depois daí o milagre da multiplicação dos bens atingiu outros membros da família e eles também começaram a ser abençoados.

RIQUEZA

Chama atenção a capacidade de alguns de gerar riqueza do nada. A filha, Patrícia Pereira de Jesus, que hoje tem 34 anos e é funcionária pública do Ministério Público de Contas, recebe salário mensal superior a R$ 8 mil, mas conseguiu virar dona de 11 empresas, tendo como sócio o marido Marco Tyson Chame, funcionário comissionado da Caer, controlada pelo sogro e os irmãos Arthur e Jennifer de Jesus. O salário mensal de Marco é superior a R$ 12 mil.  Apesar de não ter como explicar o patrimônio inicial, Patrícia tem vários postos de combustível em diversos municípios do interior. Também são sócios de uma Casa Lotérica. O negócio de venda de combustível para as prefeituras do interior envolve milhões de reais, efetivados com pouco ou nenhum controle. Sem dúvida, os indícios apontam para a lavagem de dinheiro.

UNIÃO

Outra joia da família é, sem dúvida, a empresa União, Comércio e Serviços LTDA. Uma microempresa que faturou mais de R$ 70 milhões só no governo de Suely Campos, quando Mecias tinha o comando político da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Serviços que, segundo fontes da própria Sesau, não foram totalmente prestados. Apesar do faturamento de milhões, os laranjas da empresa, no caso os irmãos Gilmar e Antônia Pereira de Araújo, têm uma vida muito modesta, inclusive na moradia em que um deles reside em São João da Baliza.

TERRAS

O milagre também se estende às propriedades rurais, inclusive pertencentes inicialmente ao Incra de Roraima, como no caso do sítio Riacho Doce e outras ocupações já denunciadas por moradores de Rorainópolis. É importante destacar que comprar ou vender lote de assentamento do Incra é crime. Aparecem também nas denúncias empresas de fora de Roraima como a Blue Star Agenciamentos LTDA, com sede em Cotia, São Paulo; e a GP Soluções LTDA, localizada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, também em nome da filha Patrícia Pereira de Jesus. O espaço da Coluna seria pequeno para continuar relacionando bens e denúncias sobre Mecias e sua família. Mas, continuaremos a cobrar da Justiça para que os julgamentos possam acontecer.

ESTRANHO

Soou muito estranho a remarcação em cima da hora do depoimento de um denunciante que entregaria farta documentação indicando corrupção na saúde do Estado antes do período da pandemia. As irregularidades são referentes às gestões dos secretários Cecília Lorezon e Francisco Monteiro. A CPI tem ouvido vários depoimentos e não tem explicação não ouvir uma testemunha que veio de Goiana unicamente para prestar depoimento, com reunião marcada e confirmada com antecedência. Se de última hora, o presidente Jalser Renier (SD) em uma manobra marcou uma sessão no mesmo dia e horário, nada impedia da oitiva acontecer na mesma data, em outro horário. Com a palavra os membros da CPI e o presidente, o deputado Coronel Chagas (PRTB).

RAPINDINHO:

– Gafanhoto: uma nuvem de gafanhotos ameaça o Sul do Brasil, na fronteira com a Argentina. A notícia do combate aos gafanhotos, reproduzida no rádio sem explicação, causou apreensão no senador Mecias e no deputado Jalser Rernier (SD).

– Solenidade: o governo que não faz nada tem que apelar. O governador Antonio Denarium (Sem Partido) anunciou solenemente que recuperou cinco motocicletas antigas para serem usadas pela Secretaria Estadual de Educação. Deve estar faltando coisa para anunciar. Se mexe, Denarium!

– Concurso: enquanto isso, a Prefeitura de Boa Vista publicou ontem processo seletivo simplificado para contratar mais de mil profissionais de saúde para suprir as necessidades do Hospital de Campanha do Exército. Teresa já havia cumprido a parte no acordo para implantação da Unidade, agora está ampliando a ação do município no esforço coordenado pelo General Barros. O pleno funcionamento do Hospital de Campanha é urgente e fundamental para a população de Roraima.

– Agravando: a situação de atendimento e proteção à população indígena está se agravando. Fizemos esse alerta aqui na Coluna de que o quadro estava ficando comprometido. Os Distritos Sanitários Indígenas nas mãos do senador Mecias e do senador Chico Rodrigues (DEM) não funcionam. A saúde do Estado nas mãos de Denarium e Jalser Renier também não. A quem os indígenas vão recorrer?

– Briga: o senador Telmário Mota (Pros) votou para vender a Caer. O senador Mecias que é o verdadeiro dono da empresa, não quer nem ouvir falar nisso e votou contra. O senador Chico Rodrigues ficou mudo. Assim, Telmário ataca Mecias dizendo que quem não quer vender está contra o povo. E Mecias ataca Telmário, dizendo que ele quer entregar por qualquer valor. Na verdade, a desunião fala mais alto frente aos interesses pessoais.

– Qual autoridade: a deputada Shéridan (PSDB), sumida de Roraima até um dia desses, voltou a atacar nas redes sociais. Ela é pré-candidata e não tem colocado um tostão durante seis anos como deputada para a cidade de Boa Vista e não tendo sido aceita pelo governador, apesar das tentativas, virou os canhões para atacar os Executivos. Shéridan, sempre que pode abandonou Anchieta quando esse estava sem mandato, ajudou a quebrar o Estado. Abandonou a tudo e a todos. Agora quer posar de boa moça. Eleição faz milagre.

– Cascavel: o ex-deputado e empresário Airton Cascavel foi nomeado Assessor Especial do Ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello. Eles ficaram amigos durante a passagem do General por Roraima, quando comandou a Operação Acolhida. Para Roraima, esse é um fato que ajuda durante a pandemia. Do lado do Ministro, Cascavel vai poder defender os interesses de Roraima e fazer a diferença. Tem gente da classe política do lado do governador que não gostou, mas é coisa de gente ciumenta. Toca em frente, Cascavel.

– Perguntar não ofende:

  1. Será que o combate aos gafanhotos vai virar moda no Brasil e em Roraima?
  2. Quer dizer que Eugênio Thomé, defensor e cabo eleitoral de Denarium, virou aliado de Teresa? Alguém acredita nisso?
  3. É verdade que Jalser e Denarium querem parar as obras que a Prefeitura está fazendo em Boa Vista?
  4. Qual o interesse financeiro da Samel Amazonas na Secretaria de Saúde do Jalser?

Informações: Roraima em Tempo – Foto: Divulgação