Assessoras negam que foram contratadas para serviços domésticos em gabinete de Sheridan

Sheridan é investigada por supostamente admitir empregados domésticos em seu gabinete. A deputada qualificou as denúncias como "lamentáveis" e "claramente infundadas"
Sheridan é investigada por supostamente admitir empregados domésticos em seu gabinete. A deputada qualificou as denúncias como “lamentáveis” e “claramente infundadas”

Em depoimento à Polícia Federal, assessoras da deputada federal Shéridan de Oliveira (PSDB-RR) negaram terem prestado serviços pessoais à parlamentar enquanto estiveram nomeadas na Câmara Federal. A tucana é investigada por supostamente admitir empregados domésticos em seu gabinete.

O inquérito foi aberto em setembro de 2018, pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, atendendo a pedido do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia. As investigações se iniciaram na PF em Roraima, que representou à PGR ‘dando conta de que a deputada federal Shéridan Estéfany Oliveira de Anchieta emprega como funcionárias de seu gabinete na Câmara dos Deputados a babá de suas filhas e uma empregada doméstica’.

Fabrícia Viana da Costa, que recebe R$ 10 mil mensais líquidos, é uma das servidoras investigadas. No dia 6 de novembro, ela compareceu à Superintendência da PF em Roraima e afirmou que trabalha no gabinete da deputada em Boa Vista, além de fazer “viagens esporádicas à Brasília”.

A assessora ainda afirmou que “na qualidade de Secretária Parlamentar faz arquivamento de documentação, atende telefone, faz a agenda da deputada quanto ela está em Boa Vista, solicitação de passagem, marca reuniões, liga para as pessoas que a deputada quer falar, que faz de tudo um pouco”.

Ainda asseverou que “os R$ 10 mil líquidos que recebe sempre ficaram com ela, para usufruir de acordo com suas decisões pessoais”. “Nunca fui orientada ou obrigada a repassar alguma quantia para alguém”, afirmou Fabrícia. “As atividades desempenhadas à deputada Shéridan sempre se restringiram às atividades de Secretária Parlamentar. Nunca desempenhei atividades estranhas às minhas atribuições”, disse a assessora em depoimento.

Já Luzinete Portugal, que chegou a trabalhar como babá da filha da deputada, disse que deixou de prestar serviços pessoais para a parlamentar após ser nomeada em seu gabinete. Ela afirmou ter recebido R$ 4 mil e que “não sabe dizer como era o seu registro à época na Câmara dos Deputados, não sabe dizer se estava registrada como Secretária Parlamentar”.

Luzinete alegou que conheceu a deputada em 2008, quando Shéridan era a primeira dama de Roraima, ainda casada com o então governador José de Anchieta. Segundo Luzinete, a deputada “precisou de uma babá para filha dela” e a secretária da tucana, de nome Katiana, entrou em contato e fez uma entrevista.

Ela afirma que ‘ficou acertado verbalmente, sem formular contrato, um período de experiência durante três meses”. Relatou também que chegou a ser contratada com carteira assinada “como babá da filha da Shéridan e que trabalhou como babá de 2008 até o mês de janeiro de 2015”.

Segundo Luzinete, em janeiro de 2015, “a filha da Shéridan já estava com oito anos e não precisava mais de babá, logo, a deputada a dispensou”. Ela alega que “três meses após ser dispensada, Shéridan a procurou e fez a proposta para que a declarante trabalhasse como secretária parlamentar, pois surgiu uma vaga no escritório em Boa Vista, base de representação do gabinete em Brasília”.

Em novembro de 2017, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal contra a deputada por compra de votos a favor do ex-marido da tucana, José de Anchieta. Segundo a acusação, Shéridan ofereceu vantagens a moradores de Boa Vista para obter votos para Anchieta, que buscava a reeleição ao governo do Estado, em 2010.

Na ocasião, Shéridan era secretária de Promoção Humana e Desenvolvimento no Estado. Ainda segundo a Procuradoria-Geral, eleitores do bairro Pintolândia, em Boa Vista, apontaram que Shéridan ofereceu a inscrição em um programa social do governo, pagamento de multas de trânsito e outras vantagens para garantir voto no marido.

Outro lado – Por meio de nota, a assessoria da deputada Shéridan ressaltou que as denúncias se mostram como sendo “vazias, sem comprovação fática e com objetivo de atingir a imagem pessoal, política e a honra da Deputada”. Além disso, destaca que toda essa confusão tem motivações políticas.

“A Deputada Shéridan, agora reeleita pelo Estado de Roraima, reafirma que atitudes como essa não a intimidarão no exercício da sua atuação parlamentar e que, como mulher, defenderá não apenas a sua honra, mas também a das servidoras que com ela trabalham, sempre que forem atingidas por atitudes inescrupulosas, machistas e racistas. A Justiça, oportunamente, responsabilizará aqueles que, ainda hoje, se comportam desse modo reprovável”, finaliza a nota.

Informações: Estadão