Defender o Meio Ambiente é Defender o Agro Brasileiro

O Brasil é um país de dimensões continentais com uma diversidade agrícola que sustenta não apenas a economia nacional, mas também tem um papel significativo no mercado global. No entanto, a sustentabilidade dessa produção agrícola está intrinsecamente ligada à preservação do meio ambiente, uma equação que ainda desafia muitas regiões do país, especialmente o Norte.

Desmatamento no Norte do Brasil: Um Desafio para o Desenvolvimento Sustentável

Os estados do Norte, como Roraima, têm sido palco de políticas de desmatamento que entram em conflito direto com as diretrizes federais de proteção ambiental. Essas ações são frequentemente justificadas pela necessidade de desenvolvimento econômico. No entanto, o Código Florestal Brasileiro estabelece que a abertura de novas áreas para agricultura deve ser compensada com medidas de reflorestamento, algo que é frequentemente visto como um obstáculo financeiro insuperável pelos grandes produtores da região.

A falácia da recuperação inviabiliza os custos de produção

Os maiores produtores, focados em maximizar seus lucros a qualquer custo, frequentemente desconsideram a legislação ambiental ao não restaurar as áreas florestais desmatadas, alegando altos custos operacionais. O que eles omitem é que o preço das terras em Roraima é significativamente inferior aos dos estados do Sul do Brasil. Mesmo com a aquisição de novas terras e a realização da recuperação florestal obrigatória, o custo total ainda seria até 50% menor do que estabelecer uma plantação mecanizada de soja, por exemplo, no Sul do país. Assim, o desmatamento continua sendo uma prática comum, sustentado por argumentos falaciosos que encobrem o verdadeiro motivo por trás da não conformidade com o código florestal: a ganância.

Vantagens fiscais concentradas nos grandes empresários agrícolas.

A situação se agrava quando o governador Antonio Denarium decide isentar o ICMS para os grandes empresários do agronegócio, que já são beneficiados com a isenção de imposto de renda devido à exportação de seus produtos. Essa política não só falha em alinhar-se com os discursos políticos de desenvolvimento econômico local, como também não traz benefícios tangíveis para o estado. Além disso, a prática reforça a percepção de que os danos ambientais e as desvantagens enfrentadas pelo setor agrícola no sul do Brasil são o resultado da avidez de um grupo restrito de empresários no norte do país.

Comparativo de Produção: Roraima Versus Rio Grande do Sul e Brasil

Ao analisarmos os dados de produção, Roraima contribui com apenas uma fração mínima para a produção nacional de soja, representando cerca de 1,14% da produção do Rio Grande do Sul e apenas 0,22% da produção brasileira de soja. Isso levanta uma questão crítica sobre a justificativa econômica por trás do desmatamento extensivo promovido por alguns produtores e apoiado pelo governo local.

O Verdadeiro Custo do Desmatamento

O problema central não reside na produção de soja ou na pecuária por si, mas na negligência em cumprir com as normativas ambientais estabelecidas pelo Código Florestal. A busca por lucros imediatos por parte de grandes produtores em Roraima está causando danos irreversíveis ao meio ambiente, o que, por sua vez, afeta negativamente outras regiões do Brasil que dependem de práticas agrícolas sustentáveis para sua produtividade e estabilidade econômica.

Conclusão: A Necessidade de uma Agricultura Responsável

É imperativo que a produção agrícola em Roraima e em outras partes do Brasil siga rigorosamente as leis ambientais. Defender o meio ambiente é, sem dúvida, defender o verdadeiro agro brasileiro, pois a longevidade e a sustentabilidade da agricultura nacional dependem diretamente da saúde de nossos ecossistemas. A adoção de práticas agrícolas responsáveis e sustentáveis é o único caminho para garantir que o Brasil continue a ser um líder agrícola global sem comprometer seu patrimônio natural para as futuras gerações.