Nas curvas e vírgulas da lei, em Roraima, encontra-se sempre um jeitinho de tensionar os limites legais e constitucionais. Depois de quatro dias da publicação da liminar do STF, o TRE-RR segue se fazendo de rogado e, até agora, não julgou as candidaturas, indeferindo aqueles que não se encaixam na regra constitucional. Com isso, o TRE-RR vai garantindo, de forma fictícia, a campanha de Arthur Henrique.
Parece que o tribunal deliberadamente atua politicamente para tensionar a relação com o STF em pleno ano eleitoral.
Estamos diante de um caso de descumprimento da lei mediante artifícios “legais”.
Os bastiões da moralidade, que se dizem defensores da família, acham que as leis devem apenas ser seguidas contra criminosos. Mas as leis não existem apenas para punir criminosos; elas existem para regrar comportamentos e ações na sociedade. O que será da nossa sociedade se seguirmos defendendo a flexibilização das leis quando nos convém?
Fazendo uma metáfora grotesca, porém válida, imaginem estupradores e ladrões de banco pedindo a flexibilização das leis para serem favorecidos. Afinal, se uns podem descumprir a Constituição, por qual razão outros não poderiam?
Então não se iludam. Nós, pessoas de bem, vivemos falando em defender uma sociedade justa, mas somos imorais ao defender que as regras só valham para os outros.
É disso que se trata a defesa pela flexibilização da participação de quem a Carta Magna (Constituição Federal) diz não se encaixar.
Arthur Henrique diz que vai trabalhar por Roraima, mas sua candidatura nasce de uma violação da lei, e ele defende isso. Que tipo de governador seria esse, que já nasce de uma adaptação na lei para favorecê-lo?





























