Depois que o senador Hiran Gonçalves revelou que, há muito tempo, o grupo composto por ele, Denarium e Damião já vinha se alinhando para as eleições de 2026 com Arthur Iradilson Henrique, foi possível entender melhor o que aconteceu antes.
Vamos aos fatos:
- O processo de cassação de Denarium chega ao TSE em 2024;
- Arthur já estava muito próximo de Bolsonaro, a ponto de ter sido o ex-presidente quem indicou seu vice, e não Teresa Surita, que foi quem lhe deu os votos;
- O grupo da oposição pedia a Arthur que impedisse os pedidos de vista de ministros do TSE, já que Nunes Marques e André Mendonça seriam alinhados a Bolsonaro. Arthur sempre apresentava desculpas, dizendo que não podia ajudar;
- Arthur Henrique muda para o PL no final de 2025, justificando alinhamento ideológico, mas, na prática, o objetivo seria não ficar impedido de disputar o Senado ou Governo em 2026, atropelando Teresa;
- Em março de 2026, ouvimos diretamente de Denarium e Damião que Arthur negociava com eles uma vaga ao Senado havia muito tempo. (Obs: mesmo sendo pública a definição de que Teresa seria candidata ao Senado);
- Ainda em março de 2026, Hélio Negão transfere seu domicílio eleitoral para Roraima, a convite de Arthur, para disputar o Senado. Naquele momento, Arthur já sabia que estava abandonando Teresa;
- Arthur deixa de atender Teresa para montar uma chapa “puro sangue” do PL e escantear quem lhe deu tudo na política;
- Arthur diz a deputados do próprio partido que não precisaria deles, pois já estaria eleito, e que governaria sozinho.
Consequências
Apesar da atitude sorrateira de Arthur — que, segundo os fatos, mentia sistematicamente para Teresa enquanto articulava sua substituição política — os fatos vieram à tona a tempo de provocar uma reação.
A convenção de Arthur acabou esvaziada porque muitos políticos do Estado passaram a enxergar que um eventual governo Arthur significaria um grupo fechado, no qual apenas ele e seus aliados mais intimos teriam espaço. Em um Estado onde grande parte dos recursos circula por meio da máquina pública, isso poderia representar o enfraquecimento político e econômico de todos os que não se submetessem ao grupo.
O erro de análise de Arthur
Nas pesquisas de intenção de voto, Arthur chegou a aparecer com cerca de 70% das intenções inicialmente — ainda antes da convenção.
Na sexta-feira anterior às convenções, já teria caído para 57%, enquanto Sampaio teria saltado de 20% para 37%.
Com o afastamento de vários políticos do próprio grupo — restando apenas Nicolletti — a tendência seria de nova queda.
Segundo pesquisas internas citadas por aliados, caso a percepção de traição se consolidasse, Arthur poderia perder ao menos 25% dos votos.
Façam as contas. perder 25% dos 57% a esta altura coloca athur com 42,75% e catapulta Sampaio para 51,25%.
Sem sequer considerar a atuação dos deputados na campanha e na mobilização eleitoral, a perda do apoio de Teresa já colocaria Arthur abaixo de Sampaio. e sem considerar que Teresa agora vai pedir que seus eleitores votem em Sampaio.
Ingênuo é aquele que acredita que os votos são do Arthur. É claro que ele cresceu politicamente e tem seus próprios votos, mas os eleitores de Teresa são fiéis à sua história e, certamente, diante de tudo o que aconteceu, vão desvincular Teresa de Arthur rapidinho, colocando o falso amigo em seu devido lugar.
Parece que Arthur Iradilson Henrique, que agora deve se apressar para divulgar pesquisas favoráveis e tentar demonstrar vantagem, apostou todas as fichas na aliança com Flávio Bolsonaro e abandonou o barco seguro de Teresa. Mas, como todos viram, Flávio já era politicamente, e Arthur está nadando sozinho em um mar revolto.





























