Presos estariam com várias enfermidades, entre elas hepatite, DSTs e tuberculose. Sejuc diz que eles estão sendo medicados (Foto: Nilzete Franco / Folha BV)

Atualmente 62 presos estão acometidos por doenças infectocontagiosas dentro do sistema prisional, entre eles 18 são soro positivos, 10 têm hepatite B e 4 têm hepatite C. O maior número é de detentos com tuberculose: são 30, número que pode ser bem maior pelo fato de ser uma enfermidade contagiosa. Por outro lado, o secretário estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), André Fernandes, garante que todos os apenados estão sendo medicados, inclusive com consulta marcada para o dia 30 deste mês com um infectologista que irá atender na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) junto com equipe do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Hospital Coronel Mota.

“Temos presos que já estão na segunda fase do tratamento da tuberculose. Tínhamos um problema com sarna, mas corremos atrás, inclusive com a participação do Ministério Público Estadual, e conseguimos a medicação e todos eles foram medicados, embora tenhamos alguns casos que são mais resistentes. Mas já estamos providenciando uma nova fase de atendimento. Fizemos testes rápidos em todos os presos do sistema prisional, que incluem as cadeias públicas masculina e feminina, e na Pamc. Temos todos diagnosticados e em tratamento”, afirmou Fernandes.

Ele explicou que quando a Força-Tarefa de Intervenção Federal (Ftip) veio para Roraima trouxe um profissional de saúde do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. “Nós já sabíamos que tinha uma equipe da saúde dentro da penitenciária e quando chegamos todos os internos passaram por exames. Então, a partir desse diagnóstico fizemos ações nas unidades prisionais separando os presos que estão com doenças infectocontagiosas, que se encontram em celas separadas dos demais recebendo tratamento médico adequado por uma equipe com psicólogo, enfermeiros, farmacêuticos, técnico de enfermagem, médico, assistente social. Do Depen, são dois técnicos de enfermagem”, disse Fernandes.

“Inclusive há luvas e máscaras disponíveis para quem tem contato com esses internos”, comentou o secretário, dizendo que a limpeza do presídio é feita por internos classificados para trabalho na unidade, e que está aderindo a uma ata da Casa Civil que trará novos produtos de higiene para o sistema prisional. Fernandes informou que ainda neste semestre a Sejuc receberá do Depen um Centro de Diagnóstico de Tuberculose, equipamento que permite detectar essa doença de maneira mais rápida. “Haverá um profissional para fazer a coleta do escarro e em 2 horas teremos o resultado. Também receberemos um scanner corporal pra detectar produtos proibidos, ilícitos, por meio de um raio-x da pessoa, além de um pórtico detector de metais.

“Meu filho adquiriu doença na Pamc”, diz mãe de preso

A mãe de um detento de 20 anos, que pediu para não ter a identidade revelada, se diz revoltada porque o filho contraiu tuberculose dentro da Pamc quando foi preso em 2017 por ter cometido um delito. Segundo ela, foi por conta da insalubridade do lugar e por existir mais apenados com a doença, além de vários outros estarem com feridas e manchas pelo corpo. “Meu filho tinha 18 anos e não tinha nenhum problema de saúde. Meses após ter sido preso começou a emagrecer muito e rapidamente, e nada fizeram. Só levaram para fazer exames quando perceberam que ele estava mal e muito magro. Se não me falha a memória, ele fez uns exames em fevereiro deste ano e somente em maio foi que recebeu o resultado, sendo diagnosticado com tuberculose. O pior de tudo é que com o passar dos dias o estado dele só se agravava e continua grave. Está muito magro. O pessoal da Pamc diz que está tudo bem, mas não está não”, ressaltou.

Durante visita feita ao filho, ainda no mês de maio, ele disse para a mãe que estaria sendo medicado e recebendo tratamento. “Mas só isso não é suficiente quando não se tem uma boa alimentação. Agora em agosto foi liberado um rapaz que me disse que se eu não tirar o meu filho ele vai morrer lá dentro, pois o local que ele tá é frio e ainda jogam água. Como pode isso gente?”, questionou a mãe, dizendo que espera que o atendimento dentro da Pamc melhore. “Sei que meu filho errou, tenho consciência disso, mas é um ser humano, tem família. Estou pedindo a Deus para que ele sobreviva e lutando para ele sair daquele lugar”, disse.

Informações: Folha de Boa Vista

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