Antigo prédio da Seed serve como abrigo para famílias venezuelanas – Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

Sem ter para onde ir, mais de 400 venezuelanos estão abrigados de forma improvisada no antigo prédio da Secretaria Estadual de Educação (Seed), no Centro de Boa Vista. A estrutura foi referência em Roraima desde a década de 1960, mas atualmente se encontra desativado em péssimas condições estruturais.

O local chegou a ser tombado e considerado patrimônio histórico cultural, mas há cerca de 10 anos, estava sem funcionar como sede da secretaria, primeiro para uma reforma sem sucesso e depois por conta de um incêndio que destruiu grande parte da estrutura. No entanto, foi lá que famílias de migrantes venezuelanos encontraram um lugar para morar, em meio aos escombros.

Vivendo em situação de extrema vulnerabilidade e risco social, insalubridade, falta de saneamento e higiene, as famílias ocuparam o prédio abandonado a cerca de um ano. Do total de residentes, pelo menos 170 são crianças e adolescentes com idade entre 0 a 17 anos.

Alejandra Gusman, de 37 anos, migrou da Venezuela com o esposo, quatro filhos e uma sobrinha. Natural da cidade de El Tigre, estado de Anzoategui, ela veio para o Brasil em busca de trabalho e educação para os filhos. Há três meses na ocupação, ela disse que a pouca renda da família vem de diárias e lavagem dos carros nas praças da cidade.

AÇÃO SOCIAL

Por meio de uma parceria entre Cáritas Brasileira e Organização internacional para Migrações das Nações Unidas (OIM), as famílias foram cadastrados e receberam kits de higiene individuais para homens, mulheres e crianças, além de atividades de promoção de higiene realizada pelas educadoras do projeto Orinoco.

Todos os integrantes da família de Alejandra foram beneficiados com os kits de higiene. “Eu vim atrás de melhores condições de vida, principalmente educação para os meus filhos. Aqui nesta ocupação estou há três meses e hoje estamos muito agradecidos pelos kits, agradecemos por lembrarem que existimos aqui”, destacou.

Para Eukáris Couttiller, de origem venezuelana e educadora social do projeto Orinoco, a promoção de higiene visa sensibilizar os beneficiários do projeto sobre a importância de lavar as mãos como medida preventiva para criar uma barreira a várias doenças, principalmente a disenteria, que afeta principalmente as crianças.

Destacou ainda o fato de que apenas o ato de lavar as mãos com água e sabão pode evitar doenças, além de reduzir custos que podem ser investidos em outros recursos para ajudar muitas famílias em situação de vulnerabilidade.

A educadora contou como é a experiência de realizar a atividade humanitária com os estrangeiros. “A experiência deste projeto com meus irmãos venezuelanos no desenvolvimento de atividades de promoção da higiene é gratificante, porque entendo um pouco a situação e posso contextualizar melhor no momento das palestras, para que esse público se sinta mais identificado e entenda melhor cada atividade”, frisou.

Informações: Roraima em Tempo