Nessa terça-feira, 23, a prefeita Teresa Surita apresentou oficialmente no Teatro Municipal, o Plano de Retomada da Atividade Econômica, uma alternativa ao restabelecimento do comércio local, que também inclui as organizações religiosas da capital.

O plano é dividido em três etapas e a reabertura do comércio, ainda sem data definida, vai depender de fatores como a redução da taxa de ocupação de leitos de UTI e de leitos clínicos exclusivos a pacientes com covid-19, além da redução do número de novos casos e de óbitos.

A elaboração do plano foi uma ação conjunta entre a prefeitura e diversas instituições, como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Roraima (Fecomércio/RR), entre outras. Também foram feitas pesquisas sobre os trabalhos de reabertura da economia de diversos países, além de serem tomadas as recomendações já feitas, em nível global, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

No entanto, a prefeita Teresa Surita destacou que o “start” será dado apenas quando forem atestadas questões como o funcionamento do Hospital de Campanha recém-inaugurado e dos leitos de retaguarda, indispensáveis para dar suporte ao tratamento aos doentes e a diminuição dos casos de positivos para a covid-19. Além, também, da população continuar mantendo o distanciamento social.

“Ainda estamos numa curva ascendente, tanto em número de óbitos, quanto em casos de positivos e de falta de leitos de UTI. Então, não podemos flexibilizar o comércio numa situação como essa. Na hora em que for estabilizado o número de óbitos, de casos positivos e tivermos leitos disponíveis de UTI, que é o que defendemos desde o início da pandemia, aí sim poderemos estabelecer uma data de abertura”.

A prefeita ressaltou mais uma vez que o distanciamento social ainda é o meio mais eficaz para reduzir os casos de covid-19 em todo o estado e que, se a população contribuir fazendo sua parte, a reabertura das atividades econômicas em Boa Vista poderá acontecer o mais breve possível.

“As pessoas precisam compreender que quanto menos circularem pela cidade, menos casos de covid-19 teremos. Eu sei que é difícil, pois há muitas pessoas que precisam sair para trabalhar, mas ainda nosso isolamento precisa ser um pouco maior. E assim teremos um bom resultado mais rápido. Por isso, continuo apelando a todos que cumpram com o isolamento social”.

Prefeita Teresa Surita: “Na hora em que for estabilizado o número de óbitos, de casos positivos e tivermos leitos disponíveis de UTI, aí sim poderemos estabelecer uma data de abertura”

Como o plano será executado?

A proposta é que a reabertura aconteça em três etapas consecutivas. Veja o que abrange cada uma delas:

1ª ETAPA – A partir do 1º dia

Comércio varejista; atividades de serviços em geral; clínicas e consultórios médicos/odontológicos; Shoppings, centros comerciais e galerias; Bares, restaurantes e demais estabelecimentos de alimentação por meio de entrega em domicílio, pronta entrega em veículos (delivery) e retirada do produto no local (drive-trhu);

2ª ETAPA – A partir do 16º dia

– Personal trainers, academias e outros; espaços públicos; bares, restaurantes e estabelecimentos com atendimento presencial restrito, excluindo serviços de self-service (suspensos até o fim da pandemia);

3ª ETAPA – A partir do 31º dia

– Espaços de eventos e festas; cinemas, teatros e auditórios

Quais requisitos a serem seguidos?

Cada segmento terá protocolos de funcionamento adequados a sua atividade, criados para serem executados da forma mais simples possível, garantindo a segurança de colaboradores, clientes. Entre as principais medidas a serem tomadas, destacam-se:

– Respeito ao distanciamento;

– Uso de equipamentos individuais de proteção;

– Limpeza dos ambientes e equipamentos;

– Atenção especial com grupos de risco;

– Observar lotação dos ambientes, de acordo com as Instruções Normativas da Vigilância Sanitária ou demais regulamentações que disciplinem o assunto.

O que dizem sobre o plano

Para o gerente de vendas e marketing do Roraima Garden Shopping, Marco Sodré, o plano é bem coerente, se mostrando eficiente e consciente com a situação vivida pelos boa-vistenses e a reabertura do comércio é bastante esperada, não apenas pelos empresários, como por toda a sociedade que deseja voltar à normalidade. 

“Temos toda a preocupação com a saúde da população, especialmente com nossos lojistas e clientes. Estamos sofrendo com essa crise econômica causada pela pandemia, mas a gente torce para que os números de infectados e de óbitos baixem e que os números de leitos aumentem, com apoio de todos. Com isso vamos conseguir essa retomada, para podermos trabalhar e buscar essa recuperação”. 

O vereador Zélio Mota, líder da prefeita na Câmara de Boa Vista, também comentou sobre a retomada da economia, ressaltando que o principal nesse momento é com a saúde da população.

“Ficou clara a preocupação com a economia, mas acima de tudo, com a saúde de Boa Vista. É preciso que os leitos de retaguarda, efetivamente, estejam funcionando, para que essas ações sejam implementadas. Também é preciso muita tranquilidade e paciência, em detrimento do caos que vivemos na saúde do Estado, com o HGR lotado e sem vagas de UTI. Por isso precisamos buscar um equilíbrio para de fato termos início desse trabalho de reabertura do comércio”.

O presidente da Ordem dos Ministros Evangélicos de Roraima (Omer), Helton Souza, afirmou que a inclusão das igrejas no plano de reabertura é motivo de alegria, uma vez que as atividades religiosas, em geral, representam um grande apoio às pessoas para enfrentarem esse momento difícil da pandemia.

“Nós vemos com bons olhos, com grande expectativa no coração, essa reabertura das igrejas. Pois a gente vê a necessidade de voltarmos às nossas atividades, isso num contexto geral das religiões, independente da crença. As pessoas precisam ter, de fato, esse apoio espiritual nesse tempo difícil que a humanidade passa”.