A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (1) a operação ´Quíron` para investigar o desvio de recursos públicos, além de indícios de fraude na contratação de fornecimento de material médico-hospitalar e de serviços terceirizados no Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste, o Dsei-Leste.

Os cinco mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em Roraima e cumpridos pela Polícia Federal com apoio do Ministério Público Federal na sede do prédio, no Bairro dos Estados.

A sede do Distrito Sanitário Indígena do Leste (DSEI Leste) foi um dos alvos da operação. Até as 10h40, as equipes recolhiam documentos no local e os funcionários aguardavam na rua a liberação para entrar no prédio. Além do DSEI Leste, os mandados foram cumpridos na sede da empresa contratada para fornecer itens médico-hospitalares e na residência do ex-coordenador distrital do órgão e outros envolvidos.

Conforme informações da Polícia Federal em Roraima, as investigações tiveram início no mês de abril e objetivam investigar corrupção, fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, após denúncias feitas pelos servidores do Dsei.

Os denunciantes apontaram que a empresa contratada há mais de quatro anos, que é responsável pelo fornecimento e recebimento dos produtos hospitalares, teria atuado em conjunto com um ex-coordenador distrital de saúde indígena, além da ajuda de uma farmacêutica do órgão para praticar possíveis desvios.

Ainda de acordo com as informações da Polícia Federal, o inquérito Policial aponta que a farmacêutica teria atestado o recebimento de uma quantia no valor aproximado de R$ 600 mil em medicamentos e outros itens hospitalares. Esse recebimento teria sido autorizado por um ex-coordenador e feito em um domingo e na presença de apenas uma funcionária da empresa contratada.

Ao tomarem conhecimento da situação, os servidores verificaram a quantidade de material recebido e foram surpreendidos por um depósito quase vazio, com apenas um valor aproximado de R$ 16 mil em produtos. O nome da Operação faz referência a Quíron, centauro da mitologia grega reconhecido pelo grande conhecimento médico.

O atual coordenador do Dsei, Vitor Paracat, se pronunciou quanto ao caso e disse que está há 60 dias no cargo, portanto as investigações não dizem respeito à sua gestão.

“Como coordenador fui chamado para abrir as portas da sede para que a Polícia Federal pudesse fazer a busca das informações que estão sob investigação. Foram cumpridos os mandados e foram levados os processos que estavam disponíveis no prédio, mas não havia nada em sigilo. Toda a documentação estava à disposição e agora está em processo investigatório. Estou à disposição para facilitar o trabalho da polícia como gestor”, esclareceu.

Informações: Folha de Boa Vista