A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) transferiu a paciente Juliane da Silva Oliveira, de 18 anos, da etnia Wapichana, de Roraima para o Hospital Federal de Ipanema, no Rio de Janeiro. A remoção foi feita após a Justiça de Roraima acatar um pedido da Defensoria Pública e determinar que o Estado arcasse com o trâmite.

O Governo ainda recorreu da decisão por duas vezes, mas não conseguiu reverter o entendimento judicial. O primeiro despacho foi no dia 5 de julho, mas a paciente só foi transferida no dia 13. A Sesau informou que fez um trabalho conjunto com a Área de Proteção e Cuidados (APC), onde a jovem estava internada.

“Foi feito contato com as unidades credenciadas no SUS [Sistema Único de Saúde] e, após confirmação do Hospital Federal de Ipanema, da disponibilidade para receber a paciente, a Coordenadoria Geral de Regulação acionou empresa contratada para realizar remoção aérea”, detalhou a Sesau.

Conforme a decisão judicial, Juliane tem quadro compatível com síndrome de Steven Jhonson, causada por reação a um medicamento ou infecção. Sintomas semelhantes aos da gripe aparecem primeiro, surgindo bolhas e irritação na pele dolorosa.

Segundo o laudo apresentado à Justiça, ela tinha coronavírus, insuficiência renal e desnutrição grave, “inclusive com relatos de crise convulsiva, sendo que a médica que atende a paciente informou que o tratamento em centro especializado é urgente, devido à gravidade de quadro clínico, que pode agravar a qualquer momento, custando a vida da paciente”.

Mesmo com o quadro grave, o Governo Estadual recorreu e pediu nova avaliação da jovem, mas o juiz Phillip Barbieux Sampaio criticou a manifestação e ordenou, pela segunda vez, que a indígena fosse removida com urgência no dia 8 de julho, já que corria risco de morrer se não recebesse tratamento adequado.

Informações: Roraima em Tempo – Foto: Divulgação/TJ