Oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) nesta quarta-feira (22) por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Elas são investigadas no caso da Cooperativa Brasileira de Serviços Múltiplos de Saúde (Coopebras), acusada de firmar contratos superfaturados com o Governo de Roraima.

Os denunciados foram alvos da Operação Hipócrates, deflagrada pela Polícia Civil no fim de agosto, com o objetivo de desarticular o esquema criminoso que desviou cerca de R$ 30 milhões por meio de contratos irregulares com a Saúde Estadual. Contudo, o montante, nos últimos cinco anos, chega a quase R$ 50 milhões, segundo a Polícia Civil.

As investigações apontaram que os profissionais cooperados não cumpriam carga horária contratada e, ainda assim, recebiam pelo serviço não prestado. Durante a análise do caso, foram constatados superfaturamento no valor dos plantões, sobreposições de escalas de trabalho, uso irregular de equipamentos e instalações particulares de profissionais médicos que eram pagos com remuneração de plantões fictícios, pagamento de cargos de chefia e direção também por meio de plantões fictícios, além de capacitações fantasmas. 

Foi apurado que o fundador e atual vice-presidente da Cooperativa, Edivaldo Vieira, criou um esquema sólido que utilizava outras duas empresas, a Contad e Dendê, para lavagem de dinheiro proveniente da organização. Ele recebia cerca de R$ 120 mil por mês da cooperativa.

“Esse esquema estabelecido entre os dirigentes e funcionários do corpo administrativo da Coopebras, todos divididos em núcleos criminosos, tinha como objetivo real o desvio sistemático de verbas públicas para posteriormente serem lavadas no mercado, se revertendo em benefício financeiro aos envolvidos que, desde então, vêm enriquecendo ilicitamente”, destaca trecho da denúncia. 

Caso haja condenação, a pena de cada um pode chegar a 50 anos de prisão. Na denúncia, o MPRR requer também que sejam incluídos os nomes dos foragidos na lista da Interpol, além da reparação dos danos materiais e morais causados pela conduta dos envolvidos e o imediato afastamento dos cargos que ocupam dentro da Coopebras.

Informações: Roraima em Tempo – Foto: Divulgação