A paciente Lúcia João da Silva denunciou à reportagem que sente dores abdominais e apresenta sangramento há mais de 40 dias. Contudo, ao ser atendida na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, foi mandada para casa sem que a questão fosse resolvida. Atualmente, ela já não sabe a quem recorrer.

“Não consegui nada. Continuo do mesmo jeito. Fazer o quê? Nada! Se os médicos dizem que eu estou bem, que seja. Pessoalmente, não há nada a fazer. Continuo sangrando bastante, dores e dor de cabeça. Não sei nem para onde pedir socorro, infelizmente”, lamentou a mulher.

Por três vezes, Lúcia foi até a Policlínica Cosme e Silva, recebeu medicamentos e foi liberada. Na última busca por atendimento, com fortes dores e sangramento, foi encaminhada à Maternidade. Mesmo identificando uma mancha, a equipe médica não sabia do que se tratava e a liberou.

Os médicos desconfiaram de aborto. Entretanto, os cinco testes de gravidez que Lúcia tinha feito deram negativo. Um exame feito na unidade constatou um pequeno cisto que, segundo a médica que a atendeu, não era a causa do problema. Depois disso, foi mandada para casa, sob justificativa de que o sangramento era menstruação.

“No dia seguinte, outra médica me disse que os exames deram todos normais, somente um cisto e nada grave. Eu respondi que como não seria grave se eu sentia dor e sangrava bastante. Ela disse que era menstruação”, reforçou à reportagem.

Lúcia voltou para casa, mas o quadro piorou e ela retornou à unidade de saúde. Central de ar quebrada e falta de estrutura nos banheiros. A paciente disse que se sentiu tratada como “bicho” e até os profissionais, quando chamados, “já olham com cara feia”. “Somos seres humanos”, desabafou.

CITADA

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que Lúcia foi assistida pela equipe médica, medicada, passou por exames laboratoriais e ultrassom e, após o resultado dos exames e estabilidade no quadro clínico, recebeu alta. Segundo a Pasta, ela foi orientada sobre a necessidade de realizar nova ultrassom depois de 30 dias.

“Reforça que presta o atendimento conforme as diretrizes estabelecidas pelo SUS, que determina atendimento digno, atencioso e respeitoso, independentemente da etnia, credo, cor, sexo, orientação sexual ou diagnóstico. O caso relatado será averiguado, uma vez que a gestão não compactua com conduta inadequada e zela pelo bom atendimento”, assegurou.

A Sesau reforçou que qualquer reclamação ou sugestão pode ser encaminhada ao setor de serviço social. Sobre as centrais de ar, disse que o trabalho de manutenção estrutural do prédio está mantido de forma regular, incluindo o serviço de limpeza e manutenção de pias e descargas, que é realizado diariamente.

“Uma das centrais de ar apresentou a necessidade de manutenção e que o serviço já foi providenciado. Além disso, está sendo providenciada a substituição das centrais antigas por novas”, finalizou.

Informações: Roraima em Tempo – Foto: Divulgação