CPI da Covid marca depoimento de Denarium para início de julho

O governador foi convocado pelos senadores no fim de maio para esclarecer os fatos que levaram à deflagração da Operação Desvid-19 (Foto: Secom/RR)

O governador de Roraima, Antonio Denarium (sem partido), deve depor à CPI da Covid no Senado Federal no dia 7 de julho. As datas foram divulgadas nessa quarta-feira (9).

Denarium foi convocado pelos senadores no fim de maio para esclarecer os fatos que levaram à deflagração da Operação Desvid-19. Os desvios, segundo a Polícia Federal (PF), chegam a R$ 20 milhões.

Datas dos depoimentos dos governadores:

  • 29 de junho – Helder Barbalho (Pará)
  • 30 de junho – Wellington Dias (Piauí)
  • 1° de julho – Ibaneis Rocha (Distrito Federal)
  • 2 de julho – Mauro Carlesse (Tocantis)
  • 6 de julho – Carlos Moisés (Santa Catarina)
  • 7 de julho – Antonio Denarium (Roraima)
  • 8 de julho – Waldez Góes (Amapá)

O governador do Amazonas, Wilson Lima, não depôs à comissão nesta quinta-feira (10) depois de conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF). Ela já é investigado por suspeita de irregularidades na pandemia. A CPI garantiu que vai recorrer da decisão.

DESVID-19

Os recursos desviados em Roraima deveriam ser utilizados em ações de enfrentamento à pandemia da Covid-19. O inquérito da PF revelou que os parlamentares destinavam emendas, mas direcionavam as licitações para empresas com as quais tinham ligação.

Um dos nomes vinculados às fraudes é do senador Chico Rodrigues (DEM). De acordo com as investigações, ele interferiu nos contratos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), articulou a permanência de um secretário, e pediu um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para trazer insumos de São Paulo a Roraima, em benefício da Quantum Empreendimentos.

Chico foi flagrado com R$ 33 mil na cueca durante as diligências em outubro do ano passado, porém nega participação nos crimes. O político ficou afastado do cargo por 121 dias, e retornou em fevereiro deste ano por ordem do STF, e foi retirado da comissão no Congresso que avalia os gastos de recursos na pandemia.

O Ministério Público Federal (MPF) cita ainda a participação de Telmário Mota (Pros) e Mecias de Jesus (Republicanos), suspeitos de indicar operadores para direcionar os contratos. Os dois não podem ter contato de nenhum tipo com Chico Rodrigues. Além deles, um deputado estadual, um ex-vereador e um ex-deputado estadual faziam parte dos esquemas.

DOCUMENTOS

Ainda na quarta-feira, a CPI da Covid levantou sigilo de documentos entregues por órgãos de fiscalização. Dois volumes enviados pelo MPF mostram que em Roraima o governo usou a “lei da oferta e da demanda” paga justificar compras superfaturadas. Em um dos contratos o sobrepreço chega a R$ 2,5 milhões.

Um dos casos de maior repercussão foi a compra de respiradores. O Estado pagou adiantado R$ 6,4 milhões por 30 equipamentos. Denarium disse, em maio de 2020, que desconhecia a aquisição superfaturada, e garantiu que acompanhava os contratos na pandemia.

Quando aprovada a convocação, ele informou que recebia com tranquilidade, contudo, considerava desnecessária. Frisou que sempre pautou o governo em transparência, e o sistema de saúde não entrou em colapso.

Entretanto, em maio do ano passado, não havia leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Geral de Roraima (HGR), o que indicava colapso na rede pública de saúde. Atualmente, Roraima está na zona de alerta crítico devido à redução de 90 para 54 UTIs, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O estado tem 105.517 casos confirmados e 1.672 mortes por coronavírus.