Jalser Renier é preso, acusado de ser mandante do sequestro de Romano dos Anjos

Além do parlamentar, oito militares e um ex-servidor da Ale-RR, também foram denunciados pelos mesmos crimes

O deputado estadual Jalser Renier (Solidariedade) foi preso nessa sexta-feira (1º) no escritório dele, no bairro Canarinho, zona Norte de Boa Vista. O parlamentar é investigado por ser mandante do sequestro do jornalista Romano dos Anjos.

O mandado de prisão contra Jalser foi expedido pela juíza convocada Graciete Sotto Mayor Ribeiro, relatora do processo e cumprido pelo promotor de Justiça Isaias Montanari Junior e pelo delegado da Polícia Civil, João Evangelista.

Durante a ação, as ruas no entorno do escritório do deputado foram fechadas. Participaram agentes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Polícia Militar e Polícia Civil.

Em agosto, sete policiais militares entre eles, um coronel aposentado e um major, foram presos na operação Pulitzer. A maioria dos militares investigados trabalhavam para o deputado Jalser que, na época do sequestro, era presidente da Assembleia Legislativa de Roraima.

Romano dos Anjos foi sequestrado de casa na noite do dia 26 de outubro do ano passado e localizado vivo, com braço quebrado e lesões nas pernas, na manhã do dia seguinte.

Mandante de sequestro

Jalser Renier foi apontando pelo delegado João Evangelista como mandante do sequestro do jornalista Romando dos Anjos. O crime foi em outubro de 2020, em Boa Vista.

O delegado afirma que “como mandante, a apuração identificou indícios do envolvimento do deputado estadual JALSER RENIER, Presidente da ALE/RR à época dos fatos”.

As apurações preliminares sobre o sequestro e tortura do jornalista apontaram para provável crime “motivado por vingança ou represália ao modo de atuação jornalística, tendo em vista que a vítima realizou diversos ataques e críticas ao trabalho do então presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier.”

“Conforme levantamentos realizados em redes sociais, arquivos da imprensa e registros da mídia em geral, Romano dos Anjos tornou-se uma ‘pedra no sapato’ do parlamentar estadual Jalser Renier e as críticas do jornalista se acentuaram no período de setembro e outubro de 2020, em programas de rádio e tv”, diz trecho do inquérito.

No inquérito, o delegado afirma que Jalser Renier também liderava uma organização criminosa dentro da Assembleia Legislativa, com participação, em grande parte, de policiais militares conhecedores de técnicas policiais e de inteligência policiais. Eles eram lotados na Casa.

Caso Romano dos Anjos

O sequestro do jornalista Romano dos Anjos, de 40 anos, ocorreu na noite do dia 26 de outubro. Ele foi levado de casa no próprio carro. O veículo foi encontrado pela polícia queimado cerca de uma hora depois.

Em outubro do ano passado, o jornalista foi vítima de um sequestro relâmpago, sendo encontrado na região do Bom Intento, área rural de Boa Vista, amarrado e em estado de choque, com ferimentos leves

Ele teve as mãos e pés amarrados com fita e foi encapuzado pelos suspeitos. Romano passou a noite em uma área de pasto e dormiu próximo a uma árvore na região do Bom Intento, zona Rural de Boa Vista. Na manhã do dia 27, ele começou a andar e foi encontrado por um funcionário da Roraima Energia.

O delegado Herbert Amorim, que conversou com o jornalista no trajeto do local onde foi encontrado até o Hospital Geral de Roraima (HGR), disse que depois de ter sido abandonado pelos bandidos, Romano conseguiu tirar a venda dos olhos com o braço e soltar os pés.

No HGR, ele relatou aos médicos ter sido bastante agredido com pedaços de pau.

No dia, a Polícia Civil afirmou, em coletiva à imprensa, que ele poderia ter sido vítima de integrantes de facção. No entanto, a polícia não descartou outras linhas de investigação, como motivação política ou por Romano trabalhar como jornalista de um programa policial.

Quatro dias após o sequestro, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), foi até a Polícia Federal pedir que a instituição investigasse o crime, afirmando que o jornalista havia citado ele e um senador no depoimento à Polícia Civil.

No dia 28 de janeiro, a Polícia Federal em Roraima divulgou nota à imprensa. O pedido para instauração de inquérito “foi indeferido, não se verificando elementos que subsidiassem eventual atribuição da Polícia Federal no caso.”

O sequestro era investigado pela Polícia Civil numa força-tarefa, que prorrogou o trabalho por ao menos três vezes. O inquérito corre em segredo de Justiça.

Este ano, no dia 16 de setembro, foi deflagrada a operação Pulitzer, onde foram presos os sete investigados e cumpridos 14 ordens de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

A maioria dos militares investigados trabalhavam para o deputado Jalser Renier (Solidaridade) que, na época do sequestro, era presidente da Ale-RR, conforme apurou a Rede Amazônica. O parlamentar nega envolvimento.

Informações: G1 Roraima