O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi convidado a explicar na Comissão de Relações Exteriores do Senado suas declarações a respeito da visita de Mike Pompeo, secretário americano, a Roraima.

O convite foi feito pelo presidente da comissão, senador Nelson Trad, que confirmou a informação ao blog nesta segunda-feira (21).

“Eu mesmo liguei e disse a ele que ele precisava ir ao Senado explicar o que houve. Ele disse que podia marcar, e marcamos para quinta-feira.”

O convite a Araújo ocorre após pressão de um grupo de senadores, que querem marcar posição crítica ao apoio do ministro ao que Rodrigo Maia classificou como “afronta” à tradição diplomática brasileira. Na visita a Roraima, junto com Araújo, o secretário de Trump fez críticas ao governo venezuelano.

Pompeo afirmou que os Estados Unidos querem “representar as pessoas da Venezuela” e que a missão do país é “assegurar que a Venezuela tenha uma democracia”. “Não devemos esquecer que ele está destruindo seu próprio país e também é um traficante de drogas. Está impactando na vida dos americanos.”

Senadores ameaçaram não analisar os nomes de 32 diplomatas indicados pelo governo para chefiar embaixadas brasileiras no exterior e representações em agências internacionais.

Mas Trad disse ao blog que conseguiu contornar a pressão, inclusive com a resposta de que Araújo irá ao Senado se explicar.

“Queriam cancelar as sabatinas, mas achei que o desgaste seria muito maior. Os embaixadores precisam ocupar seus postos. E o ministro se colocou para dar explicações”.

Estão previstas as sabatinas de indicados para as embaixadas do Brasil em Israel, Argentina, África do Sul, Dinamarca e Chile, entre outras. As arguições serão divididas em três reuniões do colegiado ao longo do dia.