Fogo destruiu três casas e sede da associação de moradores da comunidade onde vivem os reassentados (Foto: Divulgação)

Três famílias de assentados no Novo Planalto, na antiga fazenda Maclaren, no município de Alto Alegre, tiveram suas casas incendiadas na noite de ontem. A sede da Associação dos Moradores do Novo Planalto também foi alvo do incêndio que foi apontado como criminoso pela presidente da associação Silvanete da Silva.

A Folha tentou contato com Silvanete, mas seu telefone dava fora da área. Segundo um dos moradores, que preferiu não se identificar com receio de represálias, a comunidade está com medo de que coisas piores possam acontecer. Ele contou que acompanhou a presidente até a delegacia de Alto Alegre para fazer o boletim de ocorrência e disse que eles pediram providências para segurança das famílias que moram lá.

“São pessoas fortes e poderosas, temos medo de morrer, pois já sabemos mais ou menos quem são. Por isso não queremos nos identificar”, afirmou.

Ele citou que por volta das 9h da noite de quarta-feira, 30, a comunidade foi surpreendida por um carro com quatro ocupantes e uma moto com uma pessoa que jogaram gasolina nas três casas e na sede da associação.

“Não deu para identificar que modelo de carro que era, pois foi tudo muito rápido. Eles chegaram, jogaram gasolina e tocaram fogo nas casas. Só deu tempo de as famílias saírem correndo de dentro das residências e ficarem assistindo o fogo consumir tudo e sem poder fazer nada”, comentou.

Ele afirmou que são mais de 120 famílias que moram na comunidade há mais de 12 anos e esta não foi a primeira vez que fatos assim acontecem.

Sobre os motivos que levariam alguém a fazer esse tipo de crime, um dos moradores entrevistados pela Folha disse que acredita ser para intimidar os moradores e fazer com que saiam do local, pois os atacantes seriam empregados de grandes produtores.

“Essa é a quarta vez que tentam nos intimidar. Isso já aconteceu em 2015 e em 2011. Sempre tem alguém querendo tomar nossas terras”, disse.

Ele citou que a maior parte das famílias que estão no assentamento é de pessoas que estavam ocupando a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

“Nos colocaram neste assentamento há 12 anos e até agora não houve regularização por parte do Governo Federal e do Governo Estadual, mas trabalhamos honestamente e aguardando essa regularização e queremos ter a segurança para continuar produzindo melão, mamão, melancia, maracujá e criarmos nossos animais, inclusive estou com o carro cheio de galinhas levando para Boa Vista, pois tenho medo de deixar lá e levarem ou queimarem”, afirmou.

O colono informou que o prejuízo ainda não foi calculado, mas fez projeção de pelo menos R$ 70 mil nas três casas e a seda da associação.

“Ainda estamos avaliando o prejuízo, mas o prejuízo maior é o medo deles voltarem e queimar outras casas e as benfeitorias que temos. Queremos que a Polícia faça vigilância permanente no assentamento, ou que seja uma ronda, pedimos socorro às autoridades”, disse. “Temos medo de haver um assassinato. Estamos todos assustados”, afirmou.

Informações: Folha de Boa Vista