Genilson não explica as faltas dele para não apreciar a LOA em 2020

Antes de destilar a fúria contra todos e a imprensa, o presidente da Câmara de BV deveria explicar por que não estava nas sessões ordinárias da Casa (foto: Ascom/CMBV)

O presidente da Câmara de Boa Vista, Genilson Costa (SD), beira à leviandade. Ontem, declarou que os vereadores não tiveram tempo para analisar a peça orçamentária. Antes de destilar a fúria contra todos e a imprensa, ele deveria explicar por que não estava nas sessões ordinárias da Casa, quando convocado para apreciar e votar a Lei Orçamentária Anual (LOA). Parece faltar bom senso a um parlamentar que se diz experiente e com cinco mandatos. Que ele siga o exemplo do mestre, que aprovou ontem o orçamento para o governo estadual. Quem sabe agora ele autorize os vereadores a votar a proposta do município.

CONHECE

É preciso frisar que as declarações de Genilson mostram que ele tem conhecimento do texto enviado pela Prefeitura de Boa Vista. Sabe quantos milhões vão para tal secretaria, quantos milhões vão para outra, mas criou um cabo de guerra que levará, sem dúvidas, a mudanças no projeto. Se as readequações forem aprovadas, o planejamento da prefeitura precisará ser modificado. Quanto tempo isso levará? Os serviços não ficam ameaçados na capital? Parece um movimento sombrio de Genilson Costa, a mando de alguém, para que essa modulação aconteça. Vamos acompanhar!

VISITAS E VISITAS

O secretário Marcelo Lopes não cansa de passear pelos corredores do Hospital Geral de Roraima (HGR). A questão mais intrigante é que apenas agora, 10 meses após o início da pandemia, é que a Secretaria de Saúde busca estratégias para evitar situações ainda mais avassaladoras. Ontem, a reportagem mostrou pacientes nos corredores e até mesmo internados em salas onde deveriam apenas receber tratamento fisioterápico. Ao invés de aproveitar o Hospital de Campanha para planejar as medidas, o governo esperou a unidade fechar para tomar alguma providência.

EM ALGUNS DIAS

A secretaria afirma que, nos próximos 20 dias, vai colocar em prática diversas medidas para desafogar o HGR. Essas estratégias foram firmadas em acordo judicial com o Ministério Público, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. É que o órgão tinha pedido para a Justiça obrigar o Estado a disponibilizar leitos no Hospital de Campanha, mas a Sesau garantiu que até 12 de fevereiro vai ter mais 40 unidades de terapia intensiva e mais de 100 leitos de enfermaria. Espera-se que essas promessas sejam cumpridas.

CAOS

Essas mudanças precisam ocorrer rapidamente para evitar que acompanhantes continuem dormindo no chão do HGR, falta de equipamento para distribuir oxigênio, e mistura de pacientes com e sem coronavírus. Inclusive, essa falta de separação de pacientes pode ter contribuído para o aumento no número de casos, já que o risco de contaminação é altíssimo quando as pessoas são colocadas no mesmo ambiente. Aliás, isso ocorre desde o início da pandemia. Quem não se lembra da senhora de Iracema que faleceu de Covid-19, mas a prefeitura disse que ela se contaminou dentro do HGR?

CAOS 2

A situação nas unidades de saúde estaduais sempre foi caótica, mas se tornou insustentável com a pandemia. Além disso, a troca de secretários atrapalhou a eficácia das ações de combate à pandemia, interferiu na abertura do Hospital de Campanha e colocou em xeque a vida de centenas de pessoas. Oitocentas mortes é um índice elevadíssimo! As mortes em investigações nunca diminuem e as aglomerações tanto da população quanto das instituições governamentais não param. Lembrando a famosa canção de Zezé di Camargo e Luciano ‘Deus Salve a América’, podemos pedir a mesma salvação divina para Roraima.

GARIMPO

Os deputados votaram ontem um projeto que permite garimpo em Roraima. A atividade criticada por entidades vai poder ser feita sem impedimentos, já que passará a ser legalizada. Em entrevista exclusiva à Coluna, o procurador de Justiça Edson Damas já sinalizou que o projeto é inconstitucional, pois o Estado não pode legislar sobre propriedades da União. É que as jazidas são do Governo Federal. O garimpo é ainda criticado por entidades indígenas, que viram a pandemia assolar as terras por causa da atividade de mineração. É esperar para ver a ações serem protocoladas na Justiça contra a lei.

Informações: Roraima em Tempo