O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) divulgou na última semana os dados da balança comercial de Roraima, os números mostram um crescimento de 448,3% nas exportações entre janeiro e agosto de 2019 em comparação ao mesmo período em 2018. O estado já tinha registrado alta de 322% no primeiro semestre.

O total exportado nos oito meses corresponde a mais de US$ 60 milhões. Se comparado ao mesmo período no ano anterior, quando o Estado exportou apenas US$ 11 milhões, o crescimento representa uma alta de US$ 49,6 milhões no valor dos produtos exportados.

Em relação às importações, Roraima registrou um recuo de 1,7%. O valor importado entre janeiro e agosto de 2019 corresponde a US$ 6,4 milhões. No mesmo período no ano anterior, o estado havia importado US$ 6,5 milhões, cerca de US$ 110 mil a mais que o importado este ano.

Conforme o economista da Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-RR), Fábio Martinez, as exportações em 2019 são promissoras, superando o valor exportado em todo o ano de 2017 e 2018.

“Um dos principais fatores para esse crescimento, que é um dos mais constantes, é justamente as exportações para a Venezuela, já que temos aumentado as exportações para o país e superamos tudo o que exportamos em 2017 que foi um ano considerado recorde”, explicou.

Para o especialista o aumento das exportações significa mais dinheiro circulando e maior riqueza para o Estado, geração de empregos e arrecadação de impostos. “Tudo tem uma cadeia virtuosa quando crescem nossas exportações”, relatou.

EXPORTAÇÕES

O ouro em forma semimanufaturada foi o principal produto exportado, com 23% do total e a geração de US$ 13,91 milhões, mesmo que Roraima não possua nenhuma mineradora funcionando legalmente.

A soja triturada ficou em segundo, com 20% e o valor de US$ 12,38 milhões, uma variação de 569% quando comparado com o ano anterior. Já os demais produtos manufaturados representaram 17% das exportações, com valor de US$ 10,31 milhões e variação de 1.247%.

Sabões, produtos de limpeza e óleo de soja refinado representam 4% das exportações, cada. O açúcar refinado representou 3,2% e preparação para bebidas 2,9%.

De acordo com o economista, o ouro ultrapassou produtos que geralmente são os mais exportados pelo Estado. Ele ressalta, no entanto, que esse é um item pontual e que precisa de averiguação para que saiba a real procedência do minério.

“Mesmo sendo uma quantidade relativamente pequena de ouro, se comparamos com a quantidade soja, por exemplo, ele se tornou o principal produto de exportação. Ano passado começamos a ter esse produto dentro da nossa pauta, em média a partir do mês de setembro, por isso o crescimento é bem ressaltado”, esclareceu.

Os principais países de destino desses produtos são Venezuela, China, Índia e Emirados Árabes Unidos que representam respectivamente 48%, 18%, 12% e 11% das exportações do Estado.

O especialista aponta que os itens mais exportados pela Venezuela correspondem principalmente a produtos alimentícios e de higiene.

“Os itens sempre são os mesmos, principalmente o arroz, açúcar, óleo de soja, produtos alimentícios e de higiene que estão fazendo com que nossas exportações cresçam cada vez mais”, contou.

IMPORTAÇÕES

Das importações, aviões foram os principais produtos comprados, com 35% e valor de US$ 2,27 milhões. Pneumáticos vieram em segundo, com 16% e aparelhos de ar condicionado, 14%, com US$ 1,05 milhões e US$ 910,85 mil, respectivamente.

A China e os Estados Unidos são os principais países a importar produtos para Roraima, que representa respectivamente a 44% e 36% das importações de Roraima.

Informações – Roraima Em Tempo – Foto – Edinaldo Morais