O corpo da travesti encontrado dentro de um saco de estopa no domingo (19) era da estudante Letícia, de 17 anos. Segundo o Instituto Médico Legal (IML), o nome da vítima no registro civil é Davi Mateus Leonardo Pereira de Oliveira. Ela foi identificada por familiares e por meio do exame de papiloscopia.

Conforme o laudo médico, Letícia foi morta foi morta por asfixia em decorrência de estrangulamento com fita de borracha. Ela também tinha facada na barriga, segundo a Polícia Militar.

Nessa segunda (20), Associação de Travestis e Transexuais do Estado de Roraima (ATERR) emitiu nota de pesar e declarou que a morte da adolescente sinaliza crime de ódio. O grupo pediu que o caso seja investigado (leia abaixo).

Letícia foi encontrada em um terreno do bairro Santa Luzia, zona Oeste de Boa Vista em meio a galhadas. De acordo com a PM, a faca usada no crime também foi achada no local.

NOTA DE PESAR

Letícia, travesti, tinha apenas dezessete anos. Depois de ser assassinada, foi colocada em um saco de estopa e jogada num terreno baldio da Zona Oeste de nossa cidade. Apesar de muito jovem e cheia de vida, Letícia já tinha conhecido a violência e a prostituição e sua história trágica repete a história de milhares de pessoas TRANS. A condição em que seu corpo foi encontrado pode sinalizar mais um crime de ódio, a exemplo de tantos que vêm sendo cometidos contra travestis na história do Brasil.

A ATERR tem atuado cotidianamente para produzir e fortalecer uma rede de apoio para as pessoas TRANS em Roraima, mas reconhece os limites de sua atuação diante de uma sociedade que nega direitos aos jovens, discriminando-os, excluindo-os e até eliminando-os como se fossem descartáveis.

Sabemos que a insegurança e a violência tem crescido em nossa cidade, mas não podemos nos calar diante de um crime que, além de atentar contra os direitos humanos tirando a vida de alguém tão jovem como Letícia, ainda ataca a própria dignidade humana na expressão de sua diversidade, produzindo efeitos negativos não apenas na vítima mas em toda a comunidade de pessoas TRANS de Roraima. A ATERR espera que haja investigação e que se encontre a pessoa responsável por mais esse crime contra a vida de uma travesti, porque nossas vidas importam!

Sabrina Nascimento – presidente da ATERR

Informações: G1 Roraima – Foto: Arquivo Pessoal

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