Edinaldo Rodrigues, de 54 anos, aguarda uma cirurgia buco-maxilo-facial desde o ano de 2015, após sofrer um disparo com arma de fogo no rosto há 17 anos. Ele afirmou que na época, ao procurar o HGR (Hospital Geral de Roraima), foi informado que não havia material para a realização da cirurgia, e disse ter sido orientado a procurar o Judiciário para a realização do procedimento na rede privada.

O procedimento em uma clínica particular foi orçado em R$ 337 mil, sendo R$ 66 mil apenas para a mão de obra. O valor chegou a ser contestado pela Procuradoria Geral do Estado, que apresentou um orçamento de R$ 15 mil. Após decisão judicial, parte do recurso chegou a ser depositado na conta do paciente, mas devido a uma investigação policial, o processo está parado sem que o paciente possa ser operado.

Os deputados reforçaram que em oitivas anteriores, profissionais que atuam no HGR afirmaram que existe um contrato vigente para fornecer os materiais necessários para realização de cirurgias buco-maxilo-faciais. O depoimento do paciente aumentou a desconfiança dos deputados que compõem a CPI, com base nas provas levantadas até o momento, de que essas cirurgias possam ter sido encaminhadas, sem necessidade, para a rede particular.

Segundo o presidente da CPI, deputado Coronel Chagas (PRTB), após o relato da testemunha, os deputados irão analisar todo o processo, solicitando mais informações, para tomarem medidas para garantir que a cirurgia do paciente seja realizada o mais breve possível.

“Essa CPI vai envidar todos os esforços no sentido de que sua cirurgia seja efetivamente realizada no menor espaço de tempo possível. (…) Isso deixa todos nós estarrecidos e com o compromisso de trabalhar para que as coisas aconteçam, principalmente na saúde pública”, disse o presidente, ao encerrar o depoimento.

O vice-presidente da CPI, Nilton Sindpol (Patri), reforçou que os deputados tentarão intervir para garantir a realização do procedimento. “Todos nós da CPI ficamos perplexos com esse depoimento. Nós fizemos um encaminhamento para que seja feita pela Secretaria de Saúde uma reavaliação para realizar essa cirurgia”, explicou.

OITIVA

Ainda na reunião, os deputados analisaram o pedido do empresário Erick Barbosa para adiar mais uma vez o depoimento dele. Ele foi citado em oitivas anteriores por suposto envolvimento em contratos emergenciais firmados pela Sesau (Secretaria Estadual de Saúde) durante a pandemia, os quais apresentam indícios de irregularidades.

Para os parlamentares, as ausências evidenciam uma tentativa de atrapalhar o trabalho da CPI. O relator, deputado Jorge Everton (PMDB), solicitou a quinta convocação, requerimento aprovado por unanimidade. “Nós estamos tentando intimá-lo por várias vezes. Aqui é a oportunidade dele se defender, se ele não vem, a CPI não pode parar”, finalizou.

Informações: Folha de Boa Vista – Foto: Eduardo Andrade/ALERR