Roraima tem sido o estado brasileiro mais afetado pela crise humanitária venezuelana. E Boa Vista sente os fortes efeitos de uma imigração que não dá indícios de que vai acabar. Para tratar dessas questões que envolvem a Prefeitura de Boa Vista, a prefeita Teresa Surita recebeu em seu gabinete nessa sexta-feira, 16, o chefe do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Filippo Grandi.

Esta é a primeira vez que ele vem ao estado conhecer de perto a resposta emergencial que tem sido dada em Roraima, incluindo ações de abrigamento, alimentação, assistência legal para venezuelanos e projetos de promoção à integração local. Além de avaliar as necessidades veio explorar soluções para ajudar as instituições.

Embora as ações para lidar com a crise humanitária sejam de responsabilidade do Governo Federal, a prefeita Teresa não tem medido esforços para manter a qualidade dos serviços oferecidos à população, inclusive aos imigrantes. Durante a reunião, a prefeita ressaltou que sua principal necessidade hoje é a presença de no mínimo 15 médicos para os postos de saúde e hospital.

“Temos feito de tudo, dentro das nossas possibilidades, para manter o atendimento em todas as áreas. Mas estamos à beira de um colapso se não tivermos a ajuda que precisamos. A presença de Grandi aqui em Boa Vista trouxe um pouco de esperança, pois ele ouviu nossas queixas e declarou que irá nos ajudar”, declarou a prefeita.

O chefe da Acnur destacou que a Onu vai ajudar a mobilizar recursos para enfrentar as consequências do impacto com a presença dos refugiados. “Particularmente, educação e saúde são mais importantes. Temos discutido em como fazer um diagnóstico da situação da parte da prefeita e como podemos ajudar a transmitir este diagnostico às instituições que podem ajudar de uma maneira substancial. Foi muito importante ouvir a apresentação da prefeita, bem mais detalhada de uma situação que é verdadeira e dramática”, declarou o comissário.

A Acnur solicitou aos doadores (países, setor privado e cidadãos) um valor de R$ 26 milhões que seria o necessário para operar no Brasil. Desse total, R$ 21 milhões seriam destinados à operação em Roraima. Mas, deste montante, só recebeu 55%, ou pouco mais de 13 milhões. Entre os maiores doadores estão Brasil, Estados Unidos, União Europeia, Japão e Luxemburgo.

Atualmente, a ONU estima em pelo menos US$ 738 milhões para dar resposta humanitária e têm apenas 24% de financiamento, por isso o Alto Comissário irá buscar apoio internacional para os países e comunidades que acolhem refugiados e migrantes da Venezuela.

Resposta do município à imigração – Na Saúde, a prefeitura já fez mais de 360 mil atendimentos a venezuelanos nas 34 unidades básicas de Boa Vista entre 2017 e 2019. No único hospital infantil do Estado, já foram mais de 28 mil atendimentos entre 2016 e 2019.

Na Educação, as escolas municipais atendem a 4.811 alunos venezuelanos, o que representa quase 12% dos alunos. No social, a prefeitura já incluiu aproximadamente 980 mulheres venezuelanas no programa Família Que Acolhe, que atende gestantes e crianças até o seis anos de idade, inclusive com vaga garantida em creches.