ALERR vota hoje se mantém prisão de Jalser Renier

Renier foi preso em outubro de 2021, mas liberado dias depois porque gozava de imunidade parlamentar

O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), Soldado Sampaio (PCdoB), convocou uma sessão extraordinária para as 17h de hoje (4) para discutir a prisão de Jalser Renier (SD). A princípio, às 15h, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) volta a analisar a prisão do deputado.

A presidente da comissão, Catarina Guerra (SD), convocou os membros: Renan Filho (Republicanos), Evangelista Siqueira (PT), Aurelina Medeiros (Pode), Jorge Everton (sem partido), Coronel Chagas (PRTB) e Lenir Rodrigues (PPS).

O relator do caso na CCJ, deputado Coronel Chagas (PRTB), apresenta um parecer, que será levado para apreciação de todos os deputados.

Por lei, a Casa precisa decidir se mantém ou derruba a prisão preventiva de Jalser, preso por suspeita de ser o mandante do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em 2019, estender a imunidade de deputados federais e senadores aos parlamentes estaduais. Dessa forma, eles só podem ser mantidos presos se a Casa assim entender.

Esse é o segundo caso em que a Assembleia de Roraima vota a prisão de um deputado desde o entendimento do STF. Em setembro de 2019, o deputado Renan Filho (Republicanos) foi preso pela Justiça Eleitoral, mas solto após votação na Casa. Ele ficou poucas horas na Cadeia Pública de Boa Vista.

Prisão e defesa

No dia 1º de outubro, o Ministério Público deflagrou a segunda fase da Operação Pulitzer, com a participação das Polícias Civil e Militar.

Jalser foi preso por ordem da juíza Graciete Sotto Mayor e levado para o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, onde aguarda decisão da Assembleia.

Na noite do mesmo dia, a juíza comunicou a Casa. No sábado, a CCJ notificou o parlamentar para se defender em 48h, mas ele abriu mão da defesa.

Mesmo assim, pelo Regimento Interno, um procurador jurídico efetivo da Assembleia vai defender Jalser. O nome dele não foi revelado.

Também foram presos os coronéis Moisés Granjeiro e Natanael Felipe, além do sargento Bruno Inforzato. Na primeira fase seis policiais militares e um ex-servidor da Assembleia foram presos. (Leia aqui)

Suspeita

Jalser é suspeito de mandar sequestrar e torturar o jornalista Romano dos Anjos. O caso ocorreu no dia 26 de outubro de 2020.

Conforme o inquérito revelado com exclusividade pelo Roraima em Tempo, ele chefiava a organização criminosa formada por policiais militares da reserva e da ativa.

Juntos, de acordo com as investigações, foram responsáveis pelo crime contra o apresentador. Contudo, Jalser já negou envolvimento.

O documento indica que um dos militares presos fez um convite para outro policial e disse que Jalser havia ordenado um “recado” ao jornalista.

No mês passado, Soldado Sampaio disse que Jalser ameaçou de morte o governador Antonio Denarium (PP). Logo depois, Denarium confirmou a declaração do deputado.

Entretanto, Jalser também negou qualquer ameaça, e disse que nunca fez nada contra ninguém. Além disso, criticou os parlamentes e o delegado João Evangelista, que cuida do caso.

Informações: Roraima em Tempo